John Galliano será tema de exposição no Costume Institute do Met
John Galliano será tema de exposição no Met em 2027

O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, anunciou na sexta-feira que o estilista John Galliano será o tema de uma exposição individual no Costume Institute, com abertura marcada para maio de 2027. A mostra, intitulada "John Galliano: Horizons", ficará em cartaz de 9 de maio de 2027 a 9 de janeiro de 2028, e será celebrada pelo Met Gala, o evento anual que abre a exposição de primavera do instituto.

Terceiro estilista vivo homenageado

Com essa exposição, Galliano se tornará apenas o terceiro estilista vivo a ganhar uma mostra individual no Costume Institute, uma das honrarias mais altas do mundo da moda. A notícia chega em um momento de destaque para o museu: o Met Gala de 2026, dedicado ao corpo, bateu recorde de arrecadação.

O anúncio foi feito por meio de um comunicado oficial, no qual o museu destacou que a exposição não fugirá dos episódios problemáticos da carreira do estilista britânico. "Além das extraordinárias realizações criativas de Galliano, a exposição tratará da conduta ofensiva que alterou profundamente sua carreira e a forma como ele passou a ser visto pelo público", afirmou a instituição. "Ao fazer isso, a exposição refletirá sobre como as conquistas artísticas devem ser compreendidas em conjunto com a responsabilidade ética."

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Da Dior ao escândalo antissemita

Galliano comandou a Christian Dior por quase 15 anos, tornando-se um dos estilistas mais celebrados do mundo. Seu estilo exuberante e por vezes fantástico o transformou em um dos favoritos do tapete vermelho. Em 2010 e 2011, porém, uma série de comentários antissemitas e racistas, capturados em vídeo, viralizou. Em um dos episódios, ele apareceu dizendo "Eu amo Hitler" em um bar.

A repercussão foi imediata: Galliano foi demitido da Dior e de sua marca homônima, além de ser condenado por um tribunal de Paris por insultos públicos baseados em raça, religião, etnia ou origem. O documentário "High & Low — John Galliano", lançado em 2024, sugeriu que o estilista estava sobrecarregado e fazia uso abusivo de álcool e drogas quando proferiu as declarações.

Exposição em três partes

De acordo com o museu, a exposição será dividida em três seções. A primeira, chamada "Pontos de orientação", "abordará diretamente a ruptura provocada por sua conduta antissemita, racista e antiasiática em 2010 e 2011, que resultou em sua demissão da Christian Dior e de sua marca homônima, além de sua condenação por um tribunal de Paris", informou a instituição. Essa seção também tratará do processo de reabilitação e do tratamento contra a dependência de substâncias.

A segunda parte, "Horizontes", examinará as fontes de inspiração do estilista, como história, geografia, arte, narrativa e performance. A terceira, "Atlas da transformação", terá como foco "a criatividade, o trabalho artesanal, a experimentação e a inovação técnica de Galliano".

Andrew Bolton, principal curador da mostra e responsável por quase todas as grandes exposições de moda do Met, disse que a exposição "analisa tanto a maneira como Galliano redesenhou o mundo por meio da moda quanto a forma como sua conduta, suas consequências e as mudanças nos valores culturais reformularam nossa compreensão de seu trabalho".

Preparação cuidadosa

Os organizadores adotaram uma abordagem cautelosa durante o planejamento. O museu confirmou que foram realizadas reuniões com líderes da comunidade judaica de Nova York para avaliar suas impressões, conforme reportagem do The New York Times. Participaram dos encontros Bolton, Galliano e Anna Wintour, editora da Vogue e responsável pela concepção anual do Met Gala.

Jonathan Greenblatt, diretor-executivo da Liga Antidifamação, disse ao The New York Times que a organização acredita que Galliano "realmente enfrentou os problemas que levaram a seu ataque antissemita anos atrás, em Paris, e há muito tempo aceitamos seu pedido de desculpas". Ele acrescentou: "Seus esforços para reparar os danos causados por suas palavras e aprender com o episódio devem ser reconhecidos."

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Reabilitação e legado

Depois de ser demitido pela Dior, Galliano passou anos envolvido em iniciativas públicas e privadas para reabilitar sua imagem. Em 2014, foi contratado pela maison parisiense Maison Margiela, onde permaneceu por uma década. Agora, sua trajetória controversa e criativa será revisitada em uma das vitrines mais importantes da moda mundial, prometendo inspirar um dos tapetes vermelhos mais aguardados dos últimos anos no Met Gala de maio de 2027.