A influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel, de 37 anos, que foi uma das principais vozes do movimento body positive no Brasil, anunciou que deixou a militância e agora planeja emagrecer. Em entrevista, ela afirmou que o ativismo se tornou exaustivo e que a interpretação do amor próprio foi distorcida por muitos seguidores. Alexandra fundou o Corpo Livre, versão brasileira do body positive, e se tornou referência ao expor seu corpo gordo nas redes sociais. Ela lançou livros, foi capa de revistas nacionais como Marie Claire e Vogue, e deu palestras sobre gordofobia. Há dois anos, porém, decidiu recomeçar e parou de publicar sobre o movimento, passando a focar em histórias de relacionamento.
Alexandra contou que o ativismo a transformou na 'militante perfeita, que não podia errar'. A pressão por representar tantas pessoas a fez repensar tudo. Durante a pandemia, o body positive ganhou força global, e ela cresceu no Instagram, mas o sucesso veio com um custo. 'Eu me tornei a pessoa que estava denunciando e abraçando as pessoas, e também ganhei fama', disse. Com a fama, vieram convites para capas de revistas e parcerias milionárias com marcas de luxo. Alexandra admitiu que se envaideceu, mas chegou um momento em que isso não fazia mais sentido. Ela vendeu cerca de 90% dos seus pertences e deixou o circuito de eventos sociais.
A exaustão da militância
A influenciadora destacou o cansaço de ter que ser uma voz que nunca erra. 'Cansei de ter que ser uma coisa que eu não era. E pra aceitar isso, tinha dinheiro', afirmou. Ela ressaltou que, ao deixar a militância, sentiu um alívio, mas também culpa por um tempo. Hoje, não se considera mais ativista e assumiu isso publicamente em 2024. Alexandra também falou sobre as críticas que recebeu por ganhar dinheiro com o movimento. 'Sim, a gente ganhou muito dinheiro. Era o nosso trabalho', explicou. Mas observou que muitos ativistas perderam receita quando as empresas cortaram verbas para diversidade, com o avanço do reacionarismo.
O desejo de emagrecer
Alexandra sempre quis emagrecer, mas parou de fazer dietas por não ver alternativa. Agora, com as canetas emagrecedoras, ela vê uma possibilidade. 'Quero emagrecer com consciência, junto com um médico', disse. Ela acredita que a ferramenta pode ajudar na sua qualidade de vida, algo que a cultura da magreza nunca proporcionou. 'A gente não resolveu tudo. Quem não quer ter uma roupa melhor?', questionou. Sobre as críticas a pessoas que emagrecem após defenderem o body positive, ela afirmou que é a mesma pressão que elas sofriam quando eram gordas. 'As pessoas nunca estão satisfeitas. Ou falam que é apologia à obesidade, ou que se entregaram ao padrão', comentou.
Novo conteúdo e recomeço
Nos últimos anos, Alexandra mudou seu conteúdo nas redes para contar histórias de relacionamentos, o que gerou um aumento de 400 mil seguidores desde dezembro. Ela pagou o preço por deixar a pauta antiga, mas não se arrepende. 'Eu virei meme com o direito de ser feia, e o público LGBT me ama nesse lugar de tia Xanda', brincou. Ela vê o body positive ainda existente, mas com um discurso menos de revolta e mais de aceitação individual. 'A gordofobia não acabou, mas as pessoas entendem que há outro lugar', concluiu.



