Uma pesquisa inédita realizada pela consultoria McKinsey em parceria com a FGV acendeu um alerta sobre o bem-estar dos líderes empresariais no Brasil. O estudo, divulgado nesta quinta-feira, aponta que 78% dos executivos entrevistados apresentam sinais de esgotamento profissional, quadro que pode comprometer não apenas a saúde individual, mas também a produtividade e o clima organizacional.
Metodologia e amostra
A pesquisa ouviu 1.200 líderes de empresas de médio e grande porte em todo o país, entre janeiro e março de 2026. Foram considerados líderes CEOs, diretores e gerentes sêniores com equipes de pelo menos 10 pessoas. O levantamento utilizou escalas validadas internacionalmente para medir estresse, ansiedade e burnout.
Segundo os dados, 62% dos líderes relatam sentir-se frequentemente sobrecarregados, enquanto 45% afirmam ter dificuldade para conciliar vida pessoal e profissional. Apenas 22% dos entrevistados disseram não apresentar sintomas significativos de estresse.
Impacto nas empresas
O esgotamento dos líderes tem reflexos diretos nas organizações. De acordo com a pesquisa, empresas cujos líderes relataram alto nível de estresse tiveram uma rotatividade de funcionários 30% maior no último ano. Além disso, a produtividade média dessas empresas foi 15% inferior àquelas com líderes com bem-estar adequado.
“O líder é o espelho da equipe. Quando ele está esgotado, a performance de todos cai”, afirma Carlos Alberto de Souza, coordenador do estudo na FGV. “É urgente que as empresas invistam em programas de saúde mental para seus gestores.”
Perfil dos líderes mais afetados
O estudo também traçou o perfil dos líderes mais vulneráveis ao esgotamento. Mulheres em cargos de liderança relataram níveis de estresse 20% maiores que os homens. Líderes com menos de 40 anos também apresentaram maior incidência de sintomas, possivelmente devido à pressão por resultados e à falta de experiência em gestão de estresse.
Setores como tecnologia, finanças e saúde foram os que registraram maiores índices de esgotamento. Já áreas como educação e terceiro setor apresentaram indicadores ligeiramente melhores.
Recomendações dos especialistas
Os pesquisadores sugerem que as empresas adotem medidas como flexibilização de horários, programas de mentoria e acesso a psicólogos. Também recomendam que os líderes pratiquem atividades físicas e reservem tempo para o lazer. “Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença”, destaca Souza.
A pesquisa conclui que o bem-estar dos líderes deve ser tratado como prioridade estratégica, não apenas como questão pessoal. Empresas que ignorarem o problema podem enfrentar queda na competitividade e aumento de custos com saúde e turnover.



