O tetracampeão mundial de surfe adaptado Llywelyn Williams perdeu a perna direita aos 16 anos após ser atropelado por um carro em 2011 enquanto andava de skate. O acidente o deixou em coma, e ele despertou no hospital após sonhar com uma prancha de surfe se colocando entre ele e uma luz intensa. 'Ainda não era a minha hora', disse Williams, natural de Abersoch, em Gwynedd, no País de Gales.
O acidente e a recuperação
Um amigo perguntou o que ele queria fazer enquanto estava deitado no leito do hospital. A resposta foi voltar para o mar e surfar na Austrália. 'A reabilitação era o caminho para eu conseguir voltar ao oceano', disse Williams, conhecido pelos amigos como Sponge. 'Assim que eu entrei no mar de novo, senti como se tivesse renascido. Quando você e a prancha se conectam perfeitamente na onda, a sensação é de que está voando.'
Sua mãe, Eirian Parry, descreve como um 'momento lindo' o dia em que os amigos carregaram Williams até o mar, enquanto ele seguia se recuperando da amputação. Mas ela ainda relembra, visivelmente emocionada, o 'pesadelo' vivido quando ela e o pai de Williams foram convidados pelos médicos a assinar o termo de consentimento para a amputação da perna direita do filho.
Em entrevista ao documentário Our Lives: Beyond the Waves, da BBC, David Williams contou que essa foi a decisão mais difícil de sua vida, 'mas era a única maneira de salvar' o filho. 'Pensar que ele estava praticamente morto à beira da estrada quando o acidente aconteceu... e depois se tornou campeão mundial', disse o pai de Williams. 'Depois que pegou sua primeira onda novamente, ninguém mais conseguiu pará-lo.'
O papel do surfe na transformação
Williams afirma que o surfe teve um papel fundamental em sua recuperação e nos anos que se seguiram à perda da perna. 'Meus pais sempre me ensinaram que era preciso seguir em frente. Então fiquei com uma perna só, e era isso', disse. Quando não está surfando, ele trabalha como operador de escavadeira na empresa de construção da família. 'Aprendi a fazer praticamente tudo com uma perna só. A única coisa que ainda não consigo é usar um carrinho de mão', disse Williams, com um sorriso irônico.
Williams disse: 'Quando completei 18 anos, entrei na cozinha em minha cadeira de rodas e disse: 'Nós vamos para a Austrália'. Passamos um ano viajando pela costa de motorhome e surfando. Poder voltar para lá todos os anos para disputar uma competição é simplesmente fantástico.'
Conquistas e planos para o futuro
Em março de 2026, Williams conquistou o título da categoria kneeling (para atletas que surfam ajoelhados) no Campeonato Australiano Profissional de Surfe Adaptado Bright Sky de 2026 e, orgulhoso, ergueu a bandeira do País de Gales na praia de Byron Bay, no estado de Nova Gales do Sul. Em maio do mesmo ano, ficou em terceiro lugar no Campeonato Havaiano de Surfe para Pessoas com Prótese North Shore Prosthetics.
Williams banca do próprio bolso a participação nas competições de surfe e diz ser grato ao apoio que recebe de pessoas de sua comunidade. Ele também tem atuado, ao lado de outros atletas, para que o surfe adaptado passe a integrar o programa de uma futura edição dos Jogos Paralímpicos. 'O surfe teve um papel enorme na minha recuperação, e a comunidade do surfe adaptado me ajudou muito', disse Williams. 'A deficiência tornou minha vida melhor. Tudo é possível para quem tem algum tipo de deficiência.'



