N Sports e SBT: Como parceria inédita na Copa reorganiza mídia esportiva
N Sports e SBT: parceria inédita na Copa reorganiza mídia

Em julho de 2024, André Barros, Co-CEO da N Sports, reuniu-se com a FIFA para apresentar a plataforma digital multigeracional da empresa. Naquele momento, o primeiro Mundial de Clubes nos EUA era transmitido por Globo e CazéTV, em meio a uma disputa pública de audiência. Foi nesse cenário que a N Sports buscou um espaço intermediário entre a TV tradicional e a nova mídia.

Intermediação de Kaká e sublicenciamento da FIFA

A aproximação com a FIFA foi intermediada pelo ex-jogador Kaká, amigo de Barros. “Trabalho com esportes há 20 anos. E não envolve só dinheiro, tem um fator de relacionamento fundamental”, afirmou Barros. Durante as conversas, a FIFA informou que um dos detentores de direitos abriria um pacote de sublicenciamento. Barros foi então direcionado à LiveMode, dona da CazéTV, com quem já tinha relação por ter fundado o Desimpedidos, incorporado pela N Sports em 2025.

Negociação do pacote de jogos

A primeira proposta envolvia 54 jogos não exibidos pela Globo, mas os valores eram altos para o modelo digital. Após renegociação, fechou-se um pacote de 32 partidas, com um jogo por dia, seguindo a grade da Globo. Como o ambiente digital estava ocupado pela CazéTV, Barros buscou a TV aberta, optando por um consórcio com o SBT.

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Escolha do SBT e resultados de audiência

“O SBT tem um fio de narrativa que conecta com o entretenimento”, disse Barros. A melhor performance do SBT veio nas transmissões pós-jogo, com média de 8,48 pontos na Grande São Paulo, enquanto as partidas da Copa tiveram média de 7,2 pontos. Os resultados levaram a emissora a avaliar novos investimentos esportivos.

Modelo de consórcio e viabilidade financeira

O consórcio dividiu despesas e receitas conforme o percentual de inventário comercializado. Foram vendidas 13 cotas de patrocínio, valores não revelados. A Folha de S.Paulo noticiou que o pacote de 32 jogos custou R$ 134 milhões. Barros revelou que 70% foi pago em 2025 e o restante antes do torneio. “É um direito muito caro. Lidar com um cheque desse tamanho é uma barreira de entrada”, afirmou.

Construção de marca e resultados digitais

A N Sports alcançou vice-liderança na TV por assinatura durante jogos da Seleção, com 35% de share entre as emissoras oficiais. No digital, teve 4,3% de engajamento e mais de 60 milhões de visualizações, atrás apenas do Desimpedidos (5,3%). Para Barros, a exposição na TV aberta acelerou a construção da marca.

Direitos como matéria-prima de narrativa

Barros destacou que direitos esportivos são essenciais para contar histórias. Citou o fracasso do Fred+10 por falta de direitos. “Nascemos de um lugar que precisava mostrar diferencial. Hoje, como fazer alguém escolher você? Qual história você vai contar?”, questionou.

Cooperação como próximo passo

Barros acredita que o mercado brasileiro pode oferecer uma resposta diferente à fragmentação da audiência: cooperação entre empresas para compartilhar direitos, produção e distribuição. “Ter conseguido entrar na Copa neste momento de transição nos credencia para disputar todos os grandes eventos daqui para frente”, concluiu.

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