Vinte anos depois da final da Copa do Mundo de 2006, o ex-defensor italiano Marco Materazzi voltou a falar sobre um dos momentos mais icônicos da história do futebol: a cabeçada que Zinédine Zidane desferiu em seu peito durante a prorrogação da decisão entre Itália e França. Em entrevista ao jornal francês L'Équipe, Materazzi afirmou que não esperava a agressão e que só se levantaria após o cartão vermelho mostrado ao craque francês.
O contexto da agressão
A final, realizada em 9 de julho de 2006 no Estádio Olímpico de Berlim, terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação. Aos 18 minutos do segundo tempo da prorrogação, Zidane, em um momento de tensão, deu uma cabeçada no peito de Materazzi após troca de palavras entre os dois. O francês foi expulso pelo árbitro Horacio Elizondo, em sua última partida como profissional. A Itália venceu nos pênaltis por 5 a 3 e conquistou o tetracampeonato mundial.
Materazzi relembrou que, durante a jogada, Zidane se aproximou e disse algo que o irritou. "Eu não esperava a cabeçada. Quando ele se aproximou, pensei que fosse apenas uma provocação verbal. Mas ele agiu de forma impulsiva", declarou o ex-zagueiro. Segundo Materazzi, a reação de Zidane foi surpreendente, mas acabou beneficiando a Itália, que jogou os minutos finais com um jogador a mais.
'Ele não é santo'
Na entrevista, Materazzi foi enfático ao comentar a imagem de Zidane como um ídolo incontestável. "Zidane é um dos maiores jogadores da história, mas não é santo. Cometeu um erro grave naquele momento. Poderia ter resolvido a situação com um aperto de mão depois do jogo", afirmou. O italiano destacou que o episódio não apaga o legado do francês, mas mostra que ele também tinha seus limites emocionais.
Materazzi também revelou que, no momento da agressão, ele caiu no chão e ficou caído propositalmente. "Só me levantei quando vi o cartão vermelho. Sabia que aquilo poderia mudar o rumo da partida", disse. De fato, a expulsão de Zidane abalou a França, que acabou perdendo nos pênaltis.
O impacto na carreira de Zidane
A cabeçada marcou o fim da carreira de Zidane, que se aposentou após aquele jogo. O episódio gerou debates sobre a pressão emocional em jogos decisivos e a imagem de ídolos que, em momentos de estresse, podem perder o controle. Materazzi, por sua vez, tornou-se um dos heróis da campanha italiana, embora também seja lembrado por sua participação no incidente.
Em 2006, a Itália conquistou seu quarto título mundial, igualando a Alemanha (até então) e ficando atrás apenas do Brasil (5 títulos). A final é considerada uma das mais dramáticas da história, não apenas pela rivalidade, mas pelo desfecho inesperado.
Reações e legado
Desde então, Materazzi e Zidane não tiveram um encontro público de reconciliação. O italiano afirmou que não guarda mágoas, mas que o ocorrido faz parte da história do futebol. "Foi um momento de loucura, mas faz parte. Não tenho nada contra ele", concluiu. A entrevista ao L'Équipe foi publicada às vésperas do aniversário de 20 anos da final, reacendendo a memória de um dos episódios mais polêmicos do esporte.



