Grêmio enfrenta dificuldades para fechar patrocínio máster em 2025
Grêmio enfrenta dificuldades para patrocínio máster

Passados mais de sete meses do início da atual gestão, o Grêmio segue com dificuldade para fechar o patrocínio máster da camisa. O espaço está vago desde o fim do Brasileirão passado, após a rescisão do contrato com a Alfa Bet e o patrocínio temporário da Energia Bet, que comprou o espaço por duas partidas.

Propostas recusadas e busca por valor mais alto

Nos primeiros seis meses do ano, a direção se debruçou sobre o assunto, com o CEO Alex Leitão à frente. Propostas foram recusadas em função do baixo valor oferecido, entre R$ 20 e 25 milhões anuais, por exemplo. O objetivo é se aproximar ao máximo do que a Alfa Bet havia se comprometido a pagar ao clube – cerca de R$ 50 milhões.

Entretanto, o Grêmio encontra pela frente um mercado que a gestão considera "retraído". As casas de apostas (chamadas de bets) dominam os investimentos. Porém, essas empresas enfrentam a chegada de novas legislações e crescente tributação, o que impacta a possibilidade de aportes em publicidade.

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Preferência por outros setores e impacto da Copa do Mundo

Além disso, conforme apurou o ge, o Grêmio tem preferência por fechar um contrato com empresas de outros setores. É a busca por uma estabilidade que, no entendimento dos dirigentes, as bets não oferecem. O tempo de vínculo contratual é longo, de quatro ou cinco anos, e gera atenção redobrada com as garantias financeiras. O contrato com a Alfa Bet, com duração de três anos, foi rompido ainda no primeiro pelo presidente Alberto Guerra depois do atraso de três parcelas de pagamento. A empresa também não cumpriu o acordo judicial para a quitação do débito.

A Copa do Mundo também é elencada como entrave para negociações avançarem. Isso porque, sem jogos dos clubes, a marca do patrocinador não seria exposta e não há interesse em fechar o contrato antes das partidas retornarem.

Conversas em andamento e receita confortável

Dirigentes do Grêmio garantem que há conversas em andamento em busca do patrocinador máster, assim como para a venda do naming rights da Arena – pode ser uma venda casada. Contudo, o argumento é de que a receita de patrocínio já atingiu patamar "confortável" mesmo sem a cota principal. Há a compreensão de que é possível esperar mais pela melhor proposta.

O valor fechado em publicidades neste ano bate na casa dos R$ 150 milhões. Foram assinados 11 contratos de patrocínio pela administração do presidente Odorico Roman, seis deles são novos (Ingresse, Unifique, Coral, Havan, Vitafor e Solides).

Fluxo de caixa segue sufocado

Apesar dos novos patrocínios buscados, o clube enfrenta problemas financeiros. Há dificuldades mensais para pagar os salários – os valores de junho, inclusive de direitos de imagem, ficaram em aberto. A promessa é de colocá-los em dia em breve. Os atletas foram avisados previamente sobre o atraso.

A tentativa de equacionar as finanças passa diretamente pelo futebol. A regra é diminuir gastos e aumentar receitas. Por isso, o contrato de Arthur não ficou e renovações de nomes como Amuzu, Carlos Vinicius e Pavon só ocorrerão se respeitarem um teto salarial.

Investimentos feitos em contratações, como do zagueiro Wallace, do meia-atacante Jovane Cabral, do centroavante Matheus Nascimento e do lateral-direito Diego Caito já focaram em salários menores e baixo custo de transferência. No caso de Matheus Nascimento, por exemplo, foi feita uma permuta por parte da dívida que o Botafogo tinha com o Grêmio pelas compras de Nathan Fernandes e Cuiabano. Wallace e Diego Caito, somados, custam R$ 6 milhões por parte dos direitos econômicos. Pelo lateral, o Grêmio ainda terá de desembolsar mais R$ 2 milhões se quiser tê-lo em definitivo após empréstimo.

Também para aliviar o caixa, foi vendido o zagueiro Viery para a Fiorentina por 15 milhões de euros fixos (R$ 88,5 milhões) mais 2 milhões de euros (R$ 11,8 milhões) por metas atingidas. O meia Gabriel Mec está na fila para sair. O Grêmio recebeu proposta de 12 milhões de euros (R$ 69,5 milhões) do Shakhtar Donetsk, além de bonificações, e aceita vender por esse valor. Resta o jogador e o estafe aceitarem a investida.

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Arena do Grêmio como fonte de receita

O estádio passou a dar maior suporte para o caixa neste ano. O clube deixou de pagar R$ 12 milhões, no primeiro semestre, para que os sócios pudessem acessar suas cadeiras – a mudança foi possível porque o empresário Marcelo Marques comprou a gestão do estádio e a doou ao Grêmio. Além disso, foram vendidos 37 camarotes, com resultado de renda de R$ 9 milhões por ano.

O cálculo da direção é que, no primeiro semestre, a Arena tenha rendido R$ 50 milhões nos primeiros seis meses, considerando a arrecadação com ingressos. Com o anel de LED recentemente instalado e doado por Marcelo Marques a expectativa é conseguir R$ 3 milhões por ano em publicidade.