Derrota na Copa reforça debate sobre formação de atletas
Derrota na Copa acende alerta sobre formação de atletas

A eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu o debate sobre a formação de atletas no país. Para técnicos e analistas, o desempenho abaixo do esperado expõe fragilidades estruturais que vão além do resultado em campo. A seleção brasileira caiu diante da França nos pênaltis, após um empate por 1 a 1 no tempo normal, repetindo o insucesso de edições anteriores.

Falta de renovação e planejamento

Especialistas ouvidos pelo Valor apontam que o Brasil não conseguiu renovar seu elenco com jogadores de alto nível técnico. "Há uma defasagem na formação de jovens talentos. Enquanto países como França e Inglaterra investem pesado em centros de treinamento e metodologias modernas, o Brasil ainda depende excessivamente do talento nato", afirmou o analista de futebol Carlos Alberto Torres. Dados da CBF mostram que, nos últimos dez anos, o número de jogadores brasileiros atuando nas principais ligas europeias caiu 15%, enquanto a concorrência de outras nacionalidades aumentou 30%.

Estrutura das categorias de base

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, reconheceu a necessidade de mudanças. "Precisamos repensar todo o processo de formação, desde a escolinha até o profissional. Não adianta ter talento se não houver infraestrutura e acompanhamento técnico adequados", disse em entrevista coletiva. Atualmente, apenas 12% dos clubes brasileiros possuem centros de treinamento com padrão internacional, segundo levantamento da própria CBF.

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Impacto no mercado de jogadores

A derrota também deve impactar o mercado de transferências. Clubes europeus tendem a desvalorizar jogadores brasileiros após más atuações em Copas, conforme histórico. O economista especializado em futebol, João Paulo Cunha, calcula que a eliminação precoce pode gerar uma perda de até R$ 500 milhões em negociações internacionais nos próximos dois anos. "Há uma desconfiança do mercado europeu em relação à capacidade de adaptação dos atletas brasileiros a sistemas táticos mais rígidos", explicou.

Comparação com outras seleções

Enquanto o Brasil lamenta, seleções como França e Argentina colhem os frutos de investimentos contínuos na base. A França, por exemplo, conta com 38 centros de treinamento credenciados pela federação, contra 12 do Brasil. A Argentina, mesmo com menos recursos financeiros, conseguiu formar uma geração vencedora graças a um planejamento de longo prazo iniciado há mais de uma década.

O que precisa mudar

Para o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande, a solução passa por uma reforma ampla. "Não é só técnico ou jogador. É gestão, é investimento, é pensar o futebol como indústria. O Brasil perdeu o boné da inovação", afirmou. Entre as propostas discutidas na CBF estão a obrigatoriedade de centros de treinamento para clubes da Série A, a criação de um calendário nacional unificado para as categorias de base e o aumento do número de jogos internacionais para jovens atletas.

Próximos passos

A CBF já anunciou a criação de uma comissão especial para revisar o modelo de formação de atletas, com prazo de 90 dias para apresentar um relatório preliminar. A expectativa é que as mudanças comecem a ser implementadas já em 2027, com foco na Copa do Mundo de 2030. Resta saber se o futebol brasileiro conseguirá superar a crise e voltar a ser protagonista no cenário mundial.

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