Zubeldía detalha relação com Fred no sub-20 do Fluminense
Zubeldía detalha relação com Fred no sub-20

O Fluminense inicia uma nova fase em sua equipe sub-20, com o ídolo Fred assumindo o comando técnico da categoria. Em seu segundo trabalho como treinador, Fred terá desafios imediatos e de longo prazo, enquanto o técnico do profissional, Zubeldía, detalha a relação e a comunicação entre as categorias.

Desafios de Fred no comando do sub-20

O ex-centroavante recebe um time que fez campanha decepcionante no Brasileirão da categoria e na Copa São Paulo desta temporada. Mais do que melhorar resultados, a missão principal é desenvolver jogadores e promover mais jovens ao time profissional. Zubeldía destacou a importância da comunicação entre as comissões técnicas.

— Todo nosso estafe tem comunicação com treinadores e coordenadores do sub-17 e sub-20. Não invadimos lá, nem eles aqui, mas mantemos contato. Trouxemos jogadores para colaborar. E aí vou observando as promessas que tem o Fluminense. Por isso, temos que ter comunicação permanente com o time de baixo. Por exemplo o Wesley. Ele está aqui e baixa para jogar todo final de semana. Coisa que não fizeram com Riquelme. Chegou ao time principal e ficou, perdendo a competição. Isso acontece por falta de comunicação com o time de baixo — projetou Zubeldía.

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Base de Xerém e a promoção de jovens

O clube consolidou a fama de ter uma das melhores divisões de base do futebol brasileiro. Os Moleques de Xerém foram protagonistas na conquista da Libertadores de 2023, com John Kennedy fazendo o gol do título, além de André, Martinelli e Alexsander sendo figuras importantes. Na atual temporada, apenas John Kennedy e Martinelli, consolidados desde 2020, têm espaço no elenco principal.

Somando jogos de Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores, só dois jogadores de 23 anos ou menos atuaram: Riquelme Felipe e Wesley Natã, com um total de 53 minutos em campo. Outros jovens, como Júlio Fidelis, Wallace Davi, Agner, Léo Jance, Davi Schuindt, Matheus Reis, Luis Fernando e Davi Melo, atuaram apenas nos jogos iniciais do Carioca.

— O ponto mais difícil é quando chegam com 17 ou 18 anos. E aí precisa controlar a promoção do jogador. Há o exemplo do Riquelme, que hoje está muito bem. Hoje agora. Porque esses garotos têm um rendimento que oscila. É normal nessa idade. Quando chega no primeiro time do Fluminense hoje, há jogadores com mais experiência que dão segurança. Frear um pouco a promoção desses jogadores é o lógico pelas obrigações que o clube tem. Em algum momento, tem o espaço que se quer dar [aos jovens] e controlar isso é o mais difícil — explica Zubeldía.

Futuro de Fred como treinador

Fred dá os primeiros passos na carreira de treinador. Ficou oito meses comandando as categorias sub-18 e sub-20 do Fortaleza, deixando o cargo em maio antes de aceitar a proposta do Fluminense em 21 de julho. O ídolo tricolor segue o caminho de outros ex-jogadores, como Filipe Luís, que treinou o sub-17 e o sub-20 do Flamengo antes de ser alçado ao profissional.

Zubeldía viveu processo semelhante: era um meia de potencial até sofrer grave lesão no joelho e encerrar a carreira aos 23 anos. Logo se tornou treinador da base no Lanús antes de assumir o profissional.

— No caso do Fred, a lógica é a mesma. Ele está lá, nós aqui. Que ele experimente, forme jogadores, seja uma ponte e no futuro não muito distante possa ter a chance de dirigir o time profissional. Imagino que seja o projeto institucional. Assim aconteceu comigo no Lanús. Falei com Fred na parte de metodologia. Com Mário falei que tinha que ter gente lá que possa dirigir aqui e conheça a história. Tem que falar com ele que é ídolo até que perca três partidas. Depois vai sofrer como todos (risos) — destacou o treinador argentino.

Equilíbrio entre juventude e experiência

Zubeldía tem no Fluminense um elenco que mistura experiência de jogadores como Fábio, Thiago Silva e Hulk, multicampeões com mais de 40 anos, e jovens como Riquelme, Wesley Natã, Júlio Fidelis e Keven Samuel, todos com menos de 20. Encontrar o equilíbrio entre gerações separadas por duas décadas é o desafio.

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— Gerenciar as vontades diferentes é um tema a parte para o treinador. Dos momentos de cada treinador, o emocional. E essa diferença de idade influencia na gestão. Precisa de um bom grupo de treinadores e estafe, de gente que gerencia o clube, para poder administrar essas diferenças de idade. O primeiro livro que li de futebol foi de Valdano. Na primeira parte falava que "um líder deve gerenciar vontades". São diferentes e aí que tem que dar atenção para cada um. Não é fácil. Há coisas que escapam porque são muitos jogadores. Tentamos fazer o melhor possível porque no final temos as mesmas ideias e objetivos — concluiu.