Enquanto milhões de brasileiros assistiam à Copa do Mundo de 2022 pela televisão, o vice-prefeito de Presidente Prudente (SP), José Osanam Albuquerque Júnior, viveu o torneio de dentro da delegação da Seleção Brasileira. Ex-policial federal, ele integrou a equipe de segurança que acompanhou jogadores, comissão técnica e dirigentes no Mundial do Catar.
Em entrevista ao g1, Osanam relembrou sua trajetória até a maior competição do futebol mundial e compartilhou detalhes dos bastidores da Seleção, então comandada pelo técnico Tite.
Início na segurança pública
A carreira na segurança pública começou em 1988, quando foi aprovado em concurso para a Polícia Federal. Inicialmente lotado em Presidente Prudente, onde constituiu família e passou boa parte da carreira, mais tarde atuou no Comando de Operações Táticas (COT), grupo de elite da PF em Brasília. Especializou-se como instrutor de tiro, função que exerceu até a aposentadoria em 2016.
Convite para a Seleção
A oportunidade de trabalhar com a Seleção surgiu em 2018, por meio de um amigo policial federal. Antes, Osanam participou da segurança de uma equipe de Fórmula 1 durante o Grande Prêmio do Brasil, trabalhando com o piloto polonês Robert Kubica. O desempenho chamou a atenção dos responsáveis pela segurança da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Essa primeira experiência foi muito positiva. O chefe da equipe me convidou ao final da prova para fazer parte da segurança da Seleção Brasileira”, relembrou.
Inicialmente, atuou na Seleção Sub-20 em amistosos contra a Colômbia e depois na Sub-17, campeã mundial em 2019. Seguiram-se jogos das Eliminatórias, amistosos, a campanha do título da Copa América de 2019 e a Seleção Olímpica. Segundo ele, o bom trabalho nas missões anteriores foi determinante para a convocação para o Catar.
A convocação e o encontro com Tite
A confirmação de que integraria a delegação no Catar foi um dos momentos mais marcantes. “Tudo que envolve a convocação já começa a fazer parte de maneira especial na sua vida. Guardo com muito carinho”, afirmou.
Dentro do avião a caminho do Catar, o técnico Tite chamou Osanam para uma conversa e entregou-lhe uma réplica da Taça da Copa do Mundo, envolta em papel com um recado e sua assinatura. “Imagina receber das mãos do Tite uma réplica da Taça… Isso me marcou demais”, contou.
Rotina de segurança e convivência com jogadores
Durante o torneio, a equipe acompanhava a delegação em todas as atividades: deslocamentos, treinos, hospedagem e jogos. A principal responsabilidade era manter a “bolha de segurança” nas áreas exclusivas dos atletas. “Tivemos sucesso, não houve invasão”, explicou.
O contato com os jogadores foi frequente. Ele recorda uma conversa com Casemiro sobre a carreira na Europa e as diferenças para o futebol brasileiro. “Casemiro foi muito atencioso, falou sobre a vida na Espanha”, disse.
Outro episódio marcante ocorreu nas categorias de base: após uma invasão de campo em amistoso da Sub-20, Osanam ajudou a proteger Vinícius Júnior. “Os torcedores vieram em direção a ele, e conseguimos fazer a contenção. Vinícius foi muito atencioso”, relatou.
A eliminação para a Croácia
O momento mais difícil foi a eliminação nas quartas de final para a Croácia. Osanam assistiu à partida de dentro do vestiário, em revezamento, e lembra da tristeza geral após a derrota nos pênaltis. “Vocês viram a tristeza no Brasil; imagine eu passar por isso lá. Parecia que o gol da Croácia estava predestinado”, afirmou.
Ele presenciou uma cena não destacada na transmissão: um torcedor croata invadiu o gramado após o jogo e foi recebido por Neymar. “Um membro da equipe o conteve, mas ele já estava perto do Neymar. Neymar, emocionado, ainda abraçou o jovem torcedor”, relembrou.
Expectativas para o hexa
Hoje vice-prefeito, Osanam sente saudade do ambiente de Copa. “Lembro com nitidez do embarque da Seleção, dos torcedores transmitindo força. Agradeço a Deus por ter participado”, disse.
Para 2026, mantém a confiança no hexa. “Esperamos muito do Neymar, do Vinícius Júnior e do Endrick. Acredito em uma boa participação dele. Que o resultado seja diferente e o Brasil conquiste o Hexa”, concluiu.



