Vasco sub-20 elimina Santos nos pênaltis e faz final inédita
Vasco sub-20 elimina Santos nos pênaltis e faz final inédita

O Vasco da Gama sub-20 alcançou, na semifinal do Campeonato Brasileiro da categoria, algo que nenhuma geração cruzmaltina havia feito antes: chegar à decisão. Após perder o jogo de ida por 2 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro, o time de São Januário devolveu o mesmo placar no estádio vascaíno e garantiu a classificação nos pênaltis por 5 a 4, com defesa de Philipe Gabriel na última cobrança santista. Agora, o adversário na final será o Palmeiras, um dos centros de formação mais respeitados do país.

A virada que devolveu a tradição ao Vasco

O roteiro era dos mais difíceis. Dois gols de desvantagem para um time que tinha o Santos pela frente, dono de uma campanha sólida. Mas a molecada vascaína tratou de apagar a má impressão do jogo de ida. Aos 12 minutos, em uma jogada aérea que ainda gera debate, a bola chegou à área, o zagueiro Breno Sales, em posição de impedimento, tocou de lado e, após o rebote do goleiro João Pedro, Andrey Fernandes apareceu para abrir o placar. Pouco depois, Andrey ainda levou a melhor em um carrinho sobre Guilherme Cruz, lance que o árbitro puniu apenas com falta.

O Santos não se abateu, mas o Vasco seguiu em ritmo forte. No final do primeiro tempo, o lateral Avelar construiu uma jogada pela esquerda, dividiu com o goleiro João Pedro e viu a bola sobrar para Andrey Fernandes fechar o 2 a 0. Com o agregado em 2 a 2, a decisão foi para os pênaltis. Andrey, aliás, assume cada vez mais o papel de referência ofensiva da equipe, ainda que a comparação com grandes ídolos como Ademir de Menezes, Vavá, Roberto Dinamite e Romário seja sempre feita com ressalvas.

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Sem VAR, a polêmica fica para a CBF

Os lances polêmicos não passaram despercebidos. Para muitos, o primeiro gol vascaíno não deveria ter sido validado, pois Breno Sales estava irregular na origem da jogada. Na sequência, o carrinho de Andrey em Guilherme Cruz poderia ter rendido cartões, mas a arbitragem deixou seguir. “A culpa é todinha da CBF, que continua fazendo uma economia burra de dinheiro não colocando VAR no sub-20”, criticou o texto que acompanhou a partida. Ainda assim, não se pode dizer que o Santos foi eliminado apenas por isso: o Peixe teve a chance mais clara do segundo tempo e desperdiçou.

Bola do jogo e herói nos pênaltis

No segundo tempo, o Santos se lançou com coragem e teve bons momentos, mas faltou o gol. Aos 35 minutos, o Vasco errou a saída de bola e entregou a oportunidade a João Grando, que, da marca do pênalti, chutou para fora, com a bola ainda desviando na defesa. Foi o lance que poderia ter colocado o Peixe na final, já que um gol deixaria a vitória por 2 a 1 no agregado. O empate em 2 a 2, no entanto, levou o jogo para a disputa de penalidades.

Na série, as duas equipes começaram convertendo todas as cobranças. Na última da primeira leva, o experiente zagueiro Contreras, que disputou a repescagem para a Copa de 2026 pela Bolívia e marcara o segundo gol do Santos no jogo de ida, hesitou e bateu nas mãos do goleiro Philipe Gabriel. Filho do ex-zagueiro Luiz Alberto, Philipe se tornou o herói da classificação, fechando o 5 a 4 e reacendendo o coro de “São Januário, meu caldeirão”. A torcida, que nas oitavas e quartas ajudou a empurrar o time em casa, teve novo motivo de festa.

Palmeiras: o teste de fogo

O Vasco chega à final, mas o favoritismo do Palmeiras é evidente. O clube paulista domina a base brasileira há anos, tanto na captação quanto na formação e na transição de atletas, seja para o profissional ou para o milionário mercado europeu. Na comparação direta, a diferença entre as equipes sub-20 é tão grande quanto seria entre as equipes profissionais dos dois clubes. Em mata-mata, porém, as distâncias se encurtam, e o Vasco já provou que não se intimida diante de cenários adversos.

“Time da virada” voltou a ser a expressão da vez nos bastidores cruzmaltinos. Depois de reverter a desvantagem contra o Cruzeiro nas fases anteriores e agora diante do Santos, os meninos terão mais uma montanha a escalar. Se a tradição do clube diz que nada está perdido enquanto houver juízo em campo, São Januário segue de portas abertas para mais uma noite de superação.

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