Uefa rejeita proposta da Fifa de vender ações para investidores privados
Uefa rejeita venda de ações da Fifa a investidores

A Uefa se posicionou firmemente contra a proposta da Fifa de vender ações para empresas privadas. Em reunião de emergência realizada na quarta-feira, a entidade europeia anunciou que suas 55 associações-membro rejeitam de forma unânime a ideia e ameaçam ficar fora das competições enquanto ela estiver em consideração.

Proposta da Fifa gera reação da Uefa

A proposta, divulgada na terça-feira passada, prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária que consolidaria as operações comerciais e a organização de todas as competições da entidade. A Fifa espera arrecadar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a venda de participações a investidores privados, que seriam minoritários na nova empresa, avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a iniciativa, afirmando que o chamado FFE permitiria aumentar o repasse para cada federação nacional filiada de 8 milhões de dólares para 20 milhões de dólares. Em discurso, Infantino também mencionou a possibilidade de criar novos "Cabos Verdes" e garantiu que a proposta passará por votação.

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UEFA lidera oposição internacional

A Uefa foi uma das primeiras organizações a se manifestar contra a proposta e recebeu apoio da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, essas três confederações representam 143 dos 211 membros da Fifa, uma ampla maioria. Em nota oficial, a Uefa declarou: "A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda."

Críticas ao processo de tomada de decisão

A Uefa também criticou a falta de consulta prévia: "É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial." A entidade classificou a proposta como um "ultimato" e um "ato de coerção", afirmando que as federações nacionais são pressionadas a aceitar a "apropriação irreversível" das competições. Além disso, o Congresso dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre a relação entre a Fifa e o ex-presidente Donald Trump.

Detalhes financeiros e benefícios prometidos

Com os US$ 4,2 bilhões arrecadados, a Fifa promete aumentar significativamente os repasses para as federações-membro. Atualmente, cada federação recebe R$ 41 milhões por ciclo. Se o plano for aprovado, o valor subiria para R$ 102 milhões até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038. Em nota oficial, a Fifa argumenta que a injeção de capital privado é necessária para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base". No entanto, a oposição da Uefa e de outras confederações coloca em dúvida a viabilidade do plano, que pode levar a uma divisão no futebol mundial.

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