A seleção brasileira masculina de futebol conquistou o ouro olímpico em 2021 ao derrotar a Espanha na final, mas a euforia não se traduziu em sucesso no ciclo seguinte. Enquanto Espanha e Argentina aproveitaram suas bases para vencer a Copa do Mundo de 2026 e títulos consecutivos, o Brasil amargou uma eliminação precoce no Mundial e uma década sem conquistas expressivas.
O contraste com a Espanha
A Espanha, derrotada na final olímpica de Tóquio, utilizou grande parte daquela geração de prata para formar o núcleo da seleção principal. Dos 22 jogadores convocados para a Copa de 2026, 15 haviam participado dos Jogos Olímpicos de 2021. Esse aproveitamento de 68% contrasta com os apenas dois brasileiros que estiveram no ouro olímpico e foram convocados para o Mundial: o goleiro Santos e o atacante Antony. A base espanhola, comandada por Luis de la Fuente, manteve a mesma filosofia de jogo e venceu a Copa nos Estados Unidos, México e Canadá.
A consistência argentina
A Argentina, por sua vez, iniciou sua transição ainda em 2018, sob o comando de Lionel Scaloni. Após a Copa América de 2021, a equipe manteve uma espinha dorsal que conquistou a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024. Diferentemente do Brasil, que trocou de técnico três vezes entre 2021 e 2026 (Tite, Ramon Menezes interino, Fernando Diniz e Dorival Júnior), a Argentina preservou o mesmo treinador e estilo de jogo. Scaloni convocou sete jogadores que estiveram nos Jogos Olímpicos de 2021, integrando-os gradualmente ao time principal.
Os erros do Brasil
O Brasil cometeu uma série de equívocos na transição. A CBF não manteve um projeto de longo prazo: após a saída de Tite, a seleção passou por três técnicos em dois anos, sem tempo para implementar uma identidade tática. Além disso, jogadores que se destacaram nas Olimpíadas, como Matheus Cunha, Claudinho e Gabriel Martinelli, não tiveram oportunidades consistentes na equipe principal. O ouro olímpico foi tratado como um feito isolado, não como o início de um ciclo.
Outro fator foi a falta de renovação defensiva. A zaga titular da Copa de 2026 ainda contava com Thiago Silva, de 41 anos, e Marquinhos, de 32, enquanto a Espanha já havia incorporado jovens como Pau Torres e Eric García. O meio-campo brasileiro, outrora criativo, tornou-se previsível e dependente de Neymar, que não disputou as Olimpíadas e se lesionou antes do Mundial.
Impacto e futuro
A eliminação nas oitavas de final para a Croácia, nos pênaltis, escancarou os problemas. O Brasil não vence a Copa desde 2002 e não conquista um título de expressão desde a Copa América de 2019. Enquanto isso, a Espanha celebra seu quarto título mundial e a Argentina soma três troféus em cinco anos. A falta de planejamento e continuidade custou caro.
Para o futuro, a CBF precisa repensar a integração entre as categorias de base e a seleção principal. O ouro olímpico de 2021 mostrou que o país tem talento, mas a transição falhou. Sem um projeto sólido, o Brasil corre o risco de repetir os mesmos erros no próximo ciclo.



