Mata Atlântica ganha centro de referência em restauração ecológica no RJ
Mata Atlântica ganha centro de restauração ecológica no RJ

O estado do Rio de Janeiro acaba de ganhar um importante aliado na luta pela preservação da Mata Atlântica: o Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), inaugurado na sexta-feira (17) pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) em Silva Jardim, na Baixada Litorânea. O evento contou com a presença de representantes de órgãos ambientais municipais, estaduais e federais, além de pesquisadores, proprietários rurais e entidades parceiras.

Localização e área de atuação

O CERRE está instalado na Fazenda Perdida, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) denominada Parque do Mico II. No local, 130 hectares de área serão restaurados com o apoio dos projetos Floresta Viva, GEF Áreas Privadas e investidores nacionais e internacionais. O processo de restauração poderá ser acompanhado pela comunidade acadêmica e proprietários rurais, já que o Centro funcionará como um laboratório a céu aberto, berço de novas pesquisas científicas.

Aliança científica e capacitação

A iniciativa resulta de uma ampla aliança com instituições de pesquisa, como universidades e o PELD Rede (Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração), viveiristas e simpatizantes do programa de conservação do mico-leão-dourado. Segundo Jerônimo Sansevero, professor da UFRRJ e coordenador do PELD Rede, o CERRE reúne décadas de pesquisas em áreas como botânica, geologia e ecologia, permitindo o desenvolvimento de estudos de longo prazo e impulsionando novas pesquisas sobre restauração ecológica.

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No local ocorrerá a capacitação de pesquisadores, estudantes, técnicos e trabalhadores rurais em metodologias de restauração e monitoramento da biodiversidade. Marcelo Trindade Nascimento, chefe do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF e curador do Herbário UENF, destacou que o centro será um espaço importante para a formação de estudantes e pesquisadores, oferecendo estrutura para pesquisas de campo e fortalecendo a produção de conhecimento sobre o tema.

Economia sustentável e cadeia produtiva

A ideia é que o compartilhamento de experiências e a aplicação dos conhecimentos adquiridos fortaleçam a economia sustentável e o processo de restauração ecológica na Bacia do Rio São João. Carlos Alvarenga, engenheiro florestal da AMLD que coordena as atividades do CERRE, explicou que o objetivo é disseminar experiências e ser um amplificador de práticas eficientes de restauração, com a ajuda de proprietários rurais. O centro promoverá oficinas, workshops, simpósios e cursos para incentivar as melhores práticas com o solo e agroecológicas, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs). Alvarenga afirmou que o centro mostrará que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região.

Roda de conversa e desafios

Além de Carlos Alvarenga e Jerônimo Sansevero, participaram de uma roda de conversa Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS/RJ); Flávio Valente, representante do Instituto Estadual do Ambiente (Inea); Gustavo Luna, representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e Luiz Fernando Moraes, vice-presidente do conselho da AMLD e da Embrapa Agroecologia. Luiz Fernando Moraes afirmou que o principal desafio é envolver os proprietários rurais no processo de restauração, mostrando que o uso sustentável do solo beneficia tanto o meio ambiente quanto a produção. O CERRE pretende incentivar esse engajamento e ampliar a adoção dessas práticas.

A cerimônia foi conduzida por Luís Paulo Ferraz, secretário executivo da AMLD, que explicou sobre a aquisição da fazenda onde fica o CERRE e de que forma a restauração na área será estratégica para a conexão do habitat do mico-leão-dourado. Ferraz destacou que o centro foi criado para compartilhar experiências em restauração ecológica com pesquisadores, estudantes, visitantes e produtores rurais, difundindo técnicas e incentivando outros proprietários a adotar práticas sustentáveis em suas áreas.

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Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável

Durante a programação, o público conferiu exposições internas e ao ar livre com painéis informativos sobre restauração ecológica, realizou o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica e visitou a Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável, lançada durante o evento em uma propriedade parceira. No local serão aplicadas técnicas para o melhor manejo da pastagem, visando o aumento da produção impulsionado por práticas integradas à proteção e recuperação dos recursos naturais.

O zootecnista Alisson Rodrigues Jordão, professor do IFF de Bom Jesus do Itabapoana, tirou dúvidas sobre o trabalho desenvolvido e falou dos desafios e resultados promissores. Segundo ele, a proposta da Unidade Demonstrativa é mostrar que é possível aumentar a produtividade da pecuária sem ampliar o desmatamento, adotando tecnologias e práticas sustentáveis, estimulando os produtores a adotarem esse modelo.

Financiamento e expectativas

O CERRE é hoje uma realidade graças ao apoio de financiadores no âmbito do Projeto Floresta Viva (SEAS, BNDES, Funbio e Aegea) e do Projeto GEF Áreas Privadas (IIS, UNEP, SBIO e MMA), além dos parceiros ExxonMobil, Irène M. Staehelin Foundation e Save the Golden Lion Tamarin. Felipe Drummond, coordenador de Restauração Ecológica da SEAS, afirmou que a área é estratégica para a conservação do mico-leão-dourado, e a expectativa é que os investimentos em restauração contribuam para melhorar a qualidade ambiental e ampliar a proteção da região.