O Sport vendeu o volante Zé Lucas, de 18 anos, ao Cruzeiro por 5 milhões de dólares (cerca de R$ 25,5 milhões). A operação, que envolve 60% dos direitos econômicos, foi ampliada em cerca de 30% em dinheiro e incluiu 35% dos direitos de Murilo. Com a não concretização do empréstimo de Chico da Costa, o valor final subiu para R$ 26,5 milhões.
Zé Lucas despontou no início de 2025, quando ainda tinha 16 anos. Promovido do sub-17 rubro-negro, estreou contra o Afogados da Ingazeira, em 11 de janeiro, e depois atuou contra Decisão e Retrô. A rápida afirmação lhe rendeu uma renovação contratual até 2028, com aumento do salário inicial de R$ 2 mil. Campeão sul-americano sub-17 pela seleção brasileira, ele se consolidou como a principal promessa da base do clube.
O clube passava por um período turbulento, com rebaixamento à Série B, atrasos salariais e necessidade urgente de receita. Na gestão de Yuri Romão, a diretoria acreditava ser possível vender a joia por 15 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões na época). Real Betis, Villarreal, Shakhtar Donetsk e até o Barcelona rondaram o jogador, mas nenhuma proposta concreta foi formalizada.
Antes do Cruzeiro, Botafogo e Flamengo
Sob a gestão de Matheus Souto Maior, o clube descartou a informação de uma suposta proposta de 12 milhões de euros (R$ 80 milhões) do Porto. “Eu escutei algumas pessoas falando: ‘Ah, teve proposta de 12 milhões de euros do Porto, no final do ano, e o Sport não pegou’. Veja, se houve essa proposta, ela não chegou para nós”, afirmou Souto Maior.
A primeira investida de 2025 veio do Botafogo, com um modelo de compra atrelado a metas que não agradou ao Sport. Em seguida, o Flamengo ofereceu 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5 milhões) por 10% dos direitos, com o plano de integrá-lo ao sub-20 carioca. A proposta foi recusada tanto pelo clube pernambucano quanto pelo estafe do próprio atleta.
A aproximação do Cruzeiro e a concorrência estrangeira
O primeiro contato com o Cruzeiro foi feito pelo estafe de Zé Lucas, incluindo Guilherme Cavalcanti, que acompanha o jogador desde os 11 anos de idade, com o diretor Bruno Spindel, no início do ano. As tratativas não avançaram de imediato. O Olympique de Marseille, da França, enviou um representante para acompanhar um jogo no camarote da Ilha do Retiro e chegou a visitar a família do atleta. Há cerca de 20 dias, o Cruzeiro voltou a procurar o Sport.
A proposta inicial foi de 4 milhões de dólares (cerca de R$ 20 milhões) por 60% dos direitos econômicos. Pedro Lourenço, presidente do Cruzeiro, ligou pessoalmente para Matheus Souto Maior. “O Pedro ligou, ele é um cara muito objetivo, um cara do negócio. Colocou o valor dele na proposta. Eu envolvi todas as outras áreas do clube, porque era uma proposta que estava no orçamento da gente, e ela impactava o clube inteiro. Não era apenas uma discussão do futebol”, relatou Souto Maior.
Reunião na Toca da Raposa amplia o acordo
Na sexta-feira, dia 24, o presidente do Sport e o CEO Felipe Ximenes viajaram para Belo Horizonte. Foram recebidos por Pedro Lourenço e Bruno Spindel, com apresentação do moderno centro de treinamento e do técnico Arthur Jorge, que detalhou o plano para Zé Lucas. Após cerca de cinco horas de negociação, o Cruzeiro aumentou a oferta. “O que eu posso te dizer é que a gente aumentou uma proposta que, por telefone, o Pedrinho falou que não aumentaria de jeito nenhum. A gente aumentou a proposta em dinheiro em cerca de 30%. Sem contar 35% dos direitos econômicos do Murilo”, comemorou Ximenes.
O acordo fechado prevê 5 milhões de dólares (R$ 25,5 milhões), com pagamento de 3 milhões de dólares (aproximadamente R$ 15 milhões) em agosto e duas parcelas de 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5 milhões cada) em setembro e outubro. O negócio ainda contemplava o empréstimo de Chico da Costa, com salários pagos pelo Cruzeiro, mas o atacante recusou defender o Sport. Por essa razão, o Sport adicionou R$ 1 milhão à venda, totalizando aproximadamente R$ 26,5 milhões.
Zé Lucas abre mão de parte e Sport mantém 20%
Zé Lucas assinou com o Cruzeiro por cinco temporadas e terá um salário quatro vezes maior do que recebia no Sport. O volante e seu estafe, que detinham 20% dos direitos econômicos, decidiram adiar o pagamento da parcela correspondente, permitindo que o Sport recebesse integralmente o valor da venda e mantivesse os 20% para uma futura negociação. “Essa pode, sim, se transformar na maior venda da história do Sport. Porque guardamos os 20% para uma venda futura. Zé Lucas vai se valorizar. E ainda temos o direito sobre o Murilo ainda, um atleta que jogou o Mundial Sub-20 pela seleção brasileira”, disse Matheus Souto Maior.
Até agora, a maior venda da história do Sport é a do lateral-direito Pedro Lima ao Wolverhampton, da Inglaterra, que rendeu cerca de R$ 43 milhões. Com a manutenção dos 20% dos direitos de Zé Lucas, a diretoria rubro-negra acredita que o negócio tem potencial para superar esse recorde no futuro.
Parceria entre Sport e Cruzeiro
A sinergia da negociação elevou a relação entre os clubes. Felipe Ximenes revelou que Joaquim Pinto, coordenador de scouting do Cruzeiro, demonstrou acompanhamento detalhado de atletas do Sport. “O Joaquim mostrou ter um acompanhamento muito detalhado de atletas do Sport. Isso até me chamou atenção pela quantidade de jogadores monitorados”, afirmou. “A partir de agora até o fim do ano, vamos apresentar possibilidades, e o Cruzeiro passa a ser um parceiro preferencial na negociação de atletas do Sport”, completou Ximenes.
A parceria pode incluir a chegada de reforços do Cruzeiro à Ilha do Retiro. “Também há essa possibilidade. Inclusive, conversamos sobre a chance de mais um jogador do Cruzeiro vir para o Sport. Estamos tratando desse assunto com o Bruno (Spindel), até porque a janela de transferências continua aberta”, disse o CEO do Sport.



