Lionel Scaloni e Carlos Bilardo são os únicos técnicos na história a levar a seleção argentina a finais consecutivas de Copa do Mundo. Enquanto Bilardo conquistou o título em 1986 e chegou à final em 1990, Scaloni venceu o Mundial de 2022 e busca o bicampeonato em 2026 contra a Espanha. Apesar do feito comum, os caminhos percorridos por cada um foram radicalmente diferentes.
Bilardo: experiência e centralização em Maradona
Carlos Bilardo assumiu a Argentina em 1983, após uma carreira como jogador e técnico com passagens pelo Estudiantes e pela seleção colombiana. Comandou a equipe na Copa de 1986, no México, onde Diego Maradona brilhou intensamente. O time foi montado para potencializar o craque, com jogadores como Valdano, Burruchaga e Ruggeri atuando em funções específicas. Bilardo manteve a base para 1990, na Itália, onde a Argentina chegou à final mesmo com um futebol mais pragmático, perdendo para a Alemanha por 1 a 0.
Scaloni: do interino ao topo
Lionel Scaloni, por sua vez, começou como técnico interino em 2018, após a saída de Jorge Sampaoli. Sem experiência prévia como treinador principal, ele assumiu a seleção em meio a um processo de renovação. Aos poucos, construiu um time sólido, tendo Lionel Messi como líder técnico e emocional. A conquista da Copa América de 2021 deu confiança ao grupo, que venceu o Mundial de 2022 no Catar, batendo a França nos pênaltis. Em 2026, a Argentina chega à final novamente, agora contra a Espanha.
Diferenças táticas e de contexto
Bilardo era conhecido por seu estilo tático rígido e pela obsessão por detalhes. Já Scaloni adota uma abordagem mais flexível, alternando entre esquemas e valorizando o coletivo. Enquanto Bilardo dependia excessivamente de Maradona, Scaloni distribuiu responsabilidades, com nomes como Di María, De Paul e Alvarez ganhando protagonismo. Além disso, o contexto é distinto: nos anos 80 e 90, o futebol era menos globalizado e a preparação física era diferente.
Legado em jogo
Se vencer a Espanha, Scaloni se tornará o primeiro técnico a conquistar dois Mundiais seguidos desde Vittorio Pozzo, pela Itália em 1934 e 1938. Independentemente do resultado, ambos já são marcos na história do futebol argentino. Bilardo faleceu em 2024, mas seu legado permanece. Scaloni, aos 48 anos, tem carreira pela frente e pode consolidar ainda mais seu nome.



