A saída do meia Dodô do Náutico, oficializada nesta semana com destino ao Jeonbuk Hyundai Motors, da Coreia do Sul, está longe de ser encerrada nos bastidores. O clube pernambucano anunciou que vai recorrer da decisão liminar concedida pela Comissão Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) na última quinta-feira, que liberou o atleta para assinar com o time sul-coreano.
O presidente Bruno Becker, visivelmente contrariado, afirmou que o Náutico atuará em duas frentes: a defesa de mérito do processo e, se for o caso, um recurso contra a própria liminar. O clube tem prazo de 21 dias para apresentar sua defesa formal à CNRD.
Presidente do Náutico critica postura do atleta
Becker não escondeu a insatisfação com a forma como o caso foi conduzido pelo jogador e pelo estafe. Em entrevista à imprensa, o dirigente fez questão de separar as esferas jurídica e comportamental da situação.
“Esse fato tem que ser analisado sob dois prismas: jurídico e de caráter, conduta. No jurídico é uma decisão que cabe recurso, o Náutico vai apresentar defesa de mérito. É bom lembrar que essa foi uma decisão liminar com tutela de urgência que foi concedida, mas o processo segue”, explicou.
“Entrando um pouco na questão técnica, do processo, do procedimento: o atleta obteve a liminar que dá o direito a ele ser transferido para outro clube. O Náutico vai apresentar defesa de mérito e aí a depender do resultado vai se entrar no recurso”, completou o presidente.
Clube promete ir até a última instância
Na visão da diretoria alvirrubra, o caso vai além da perda de um jogador. Para Becker, a saída de Dodô serviu para “fechar de vez o futebol do clube”, que conseguiu se reorganizar sem o atleta. Ele garantiu que o Náutico vai lutar pelos direitos econômicos.
“A saída do atleta talvez seja o ponto que a gente estava faltando para a gente fechar de vez o futebol do clube, que nós conseguimos retomar sem o atleta. E a gente vai até a última instância, o que for preciso”, ratificou.
O presidente também voltou a questionar o caráter de Dodô, relembrando um acordo verbal feito anteriormente. “Apertei a mão dele”, disse, em tom de desabafo.
Entenda a linha do tempo da novela
A transferência de Dodô foi marcada por idas e vindas. No dia 3 de julho, o Náutico recebeu proposta do clube sul-coreano e tinha cinco dias para responder. No dia 6, anunciou a compra de 50% dos direitos econômicos por R$ 800 mil. Três dias depois, o jogador faltou ao treino sem justificativa e foi cortado do jogo contra o Avaí.
Dodô alegou “mal estar” e “desencontro de comunicação”, enquanto o estafe negou a falha. O técnico Hélio dos Anjos, no dia 15, rebateu a versão e falou em “mentiras”. No dia 20, o companheiro Jean Carlos revelou que Dodô pedia para voltar a jogar. No dia seguinte, o treinador afirmou que o caso havia sido superado e o atleta foi reintegrado.
A reviravolta veio no dia 30 de julho, quando Dodô treinava normalmente, mas, à noite, a CNRD concedeu a rescisão. A ação foi movida pelo Coimbra-MG, que havia emprestado o meia ao Timbu, e pelo próprio jogador.
Náutico alega ter cumprido o contrato
A decisão da CNRD, obtida pelo ge, aponta que o Náutico não comprovou o depósito do valor da compra nem apresentou proposta formal de contrato ao atleta no prazo de 24 horas. O clube, no entanto, afirma que exerceu o direito de compra previsto em contrato.
Segundo o presidente, o Náutico sinalizou até uma conversa para renovação com aumento salarial, mas isso não foi formalizado. Para Becker, o clube foi prejudicado pela decisão e vai brigar por compensação financeira.
“O Náutico exerceu o direito de compra. A partir do momento que chegou a proposta do time da Coreia, o Náutico formalizou de acordo com o que estava no contrato. O Náutico vai brigar pelos direitos econômicos que o Náutico exerceu o direito de compra: os 50%. O Náutico vai brigar para ser indenizado. O Náutico vai brigar por dinheiro”, encerrou.



