Roger, técnico do Atlético-GO, defende inclusão em entrevista exclusiva
Roger, do Atlético-GO, fala sobre inclusão e acesso na Série B

Uma semana após assumir o comando do Atlético-GO, o técnico Roger Silva, de 41 anos, recebeu o ge para um papo exclusivo no CT do Dragão. O ex-atacante, que se aposentou como jogador em 2021 após 602 partidas e 194 gols, vive mais um capítulo de uma trajetória marcada por desafios dentro e fora dos gramados. Agora, ele assume a missão de conduzir o Dragão na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.

A missão pela inclusão

Pai de Giulia, que nasceu cega, Roger afirma que a convivência com a filha mudou sua forma de enxergar a realidade vivida por pessoas com deficiência. Segundo o treinador, a experiência despertou nele a responsabilidade de usar a visibilidade no futebol para defender a inclusão e cobrar mais oportunidades. “Eu tento sempre lutar pela inclusão. Eu vejo o tanto que minha esposa luta para que a Giulia tenha as mesmas oportunidades de quem tem visão. Mas, de fato, existe um bloqueio. Existe muita dificuldade no nosso país quanto à aceitação, vagas de trabalho, relacionamento... Eu vejo o quanto nós estamos longe de uma normalidade”, afirmou.

Roger admite que, por vezes, defender essa causa gera interpretações equivocadas por parte dos torcedores, mas garante que não pretende abandonar essa missão. “Às vezes é difícil para um treinador defender uma bandeira, porque alguns torcedores pensam: 'Ele está mais preocupado com a deficiência da filha do que em treinar o time'. Mas é uma missão que Deus colocou no meu caminho. Nós precisamos conscientizar as pessoas de que quem tem uma deficiência merece uma vida digna”, completou.

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Momento marcante com a filha no Botafogo

O treinador relembrou um dos momentos mais marcantes da carreira, quando entrou em campo com a filha antes de uma partida do Botafogo. A cena ganhou repercussão em uma reportagem do Esporte Espetacular e, segundo ele, aproximou ainda mais a torcida alvinegra. “Depois daquela reportagem as pessoas conheceram um outro lado do Roger, o paizão, o cara de família. Foi marcante. A torcida do Botafogo está no meu coração. Foi em um jogo contra o Avaí. Ela entrou comigo no campo e foi um momento inesquecível”, destacou.

Sonho do acesso e confiança no Atlético-GO

De volta ao dia a dia do futebol, Roger garante que o principal objetivo no Atlético-GO é recolocar o clube na Série A. Apesar do entusiasmo com o projeto, o treinador adota um discurso de cautela e prega foco em um jogo de cada vez. “Nós estamos com os pés no chão, pensando jogo a jogo, mas eu acredito que teremos as nossas oportunidades. O sonho é subir. Eu vim para o Atlético para isso”, afirmou.

Além do acesso à elite do futebol brasileiro, Roger encara o comando do Atlético-GO como a oportunidade de se firmar entre os principais treinadores da nova geração. “O Atlético é gigante na Série B. O Adson (presidente) é um cara vencedor e já provou isso outras vezes. Ele confiou no meu trabalho, viu que eu quero provar que sou capaz e aqui eu vejo uma grande oportunidade de me firmar como um grande treinador”, disse.

Transição de atleta para treinador

Roger comentou sobre a rápida transição de jogador para treinador: “Foi uma transição muito rápida. Eu joguei minha última partida no fim de semana. Na segunda-feira já iniciei como dirigente. Logo depois precisei fazer alguns jogos como treinador porque não conseguimos trazer alguém para o time. Na beira do campo eu me senti mais confortável e resolvi estudar.”

Passagem por muitos clubes

“Eu estou tentando fazer diferente como treinador. Fiquei três anos no Athletic, nove meses no Londrina. Só a passagem pelo América-MG foi mais curta. Minha carreira como jogador teve muitas mudanças, algo que eu não quero como treinador. Apesar disso, costumo dizer que foi uma carreira limpa. Tem lugares onde fui bem, outros nem tanto, mas sempre deixei uma marca legal”, afirmou.

Auge como jogador e luta contra tumor

“Meu melhor momento foi no Botafogo. Em 2017 vivi o auge da minha carreira. Era capitão da equipe, o time jogava um futebol bonito com o Jair Ventura, mas aí veio o tumor. Depois disso, nunca consegui ser o mesmo”, revelou.

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Passagem pelo futebol asiático

“Eu me arrependo de não ter ficado mais tempo no Japão. Acho que, na época, faltou entender que precisava me adaptar ao futebol. Na Coreia passei um ano, mas foi onde joguei mais e fui mais feliz. Tenho um grande carinho pela Ásia e o objetivo de um dia treinar um time de lá”, disse.

Relação com o Sport

“O Sport é minha casa. Todas as vezes que passei por lá fui muito feliz e tive a oportunidade de entrar em uma seleta lista de pessoas que conquistaram títulos como jogador e treinador”, destacou. Sobre a demissão, afirmou: “É complicado falar de injustiça no futebol. Acho que poderia ter mais oportunidades, algumas reuniões para definir um caminho. Eu tinha acabado de conquistar um título e, com uma derrota, tudo bem que foi na Copa do Brasil, acho que poderia ter continuado o trabalho.”

Recado aos pais de crianças com deficiência

“Nós somos privilegiados pelos filhos que temos. Acredito que Deus nos deu esse presente. Cuidem dos seus filhos, amem e não os deixem em casa. Preparem eles para o mundo”, finalizou.