Queda de público no Brasileirão preocupa; Flamengo é exceção
Queda de público no Brasileirão; Flamengo cresce

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2025 terminou com sinais preocupantes para os clubes. A média de público total caiu 11%, de 26.412 para 23.496 torcedores por jogo, segundo levantamento do especialista em gestão e marketing esportivo Marcelo Paciello, obtido pela reportagem. O público pagante recuou 12%, de 25.546 para 22.581, enquanto a renda bruta teve queda de 7,5% e a líquida, de 2,5%. Apesar das baixas, a taxa média de ocupação subiu de 56% para 57%, e o ticket médio aumentou 4%, passando de R$ 56,21 para R$ 58,71.

Clube dos Nove concentra 67% do público

Os dados reforçam a força do chamado “Clube dos Nove”, grupo formado por Flamengo, Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético Mineiro, Fluminense, São Paulo e Fortaleza, que historicamente sustentam a presença de público. Mesmo com mudanças devido a acessos e rebaixamentos – o Remo substitui o Fortaleza neste momento –, essas equipes respondem por 67% de todo o público da Série A no primeiro turno.

Entre as explicações para a redução geral, Paciello aponta o início do Brasileirão em janeiro, simultaneamente aos campeonatos estaduais, uma novidade no calendário, além das ausências de Ceará e Fortaleza, que disputam a Série B após figurarem entre as maiores médias em 2025.

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Flamengo: crescimento em todos os indicadores

O Flamengo liderou com folga, alcançando média de 60.405 torcedores por partida, alta de 5% em relação ao ano anterior. O clube aumentou o ticket médio em 15%, para R$ 82,82 – o maior do campeonato –, e ainda assim viu a ocupação dos estádios subir de 73% para 77%. A renda bruta média cresceu 22% e a líquida, 20%, enquanto os demais integrantes do grupo, exceto o Grêmio (que cresceu 23% no público), registraram retração. Corinthians, Bahia, Cruzeiro, Palmeiras, Atlético-MG, Fluminense e São Paulo tiveram quedas de público e receita; São Paulo e Cruzeiro sofreram as maiores baixas de arrecadação. O Remo, de volta à elite após mais de três décadas, impulsionou a lista de maiores públicos.

Para Marcelo Paciello, o desempenho rubro-negro demonstra conhecimento do comportamento do torcedor e eficiência na política de preços. “O Flamengo conseguiu crescer simultaneamente em público, arrecadação e ocupação”, afirmou. O Vasco foi quem mais evoluiu na taxa de ocupação, beneficiado por jogar sempre em São Januário, mas o rubro-negro se destaca por aliar estádio cheio, ingressos mais caros e aumento de receita.

Necessidade de uma liga unificada

Paciello alerta que os dados reforçam a necessidade de uma liga unificada tratar a bilheteria como parte estratégica do produto Brasileirão. “Além de discutir calendário, horários e mandos de campo, os clubes precisam encontrar formas de reduzir a dependência dos resultados esportivos para manter as arquibancadas cheias e evitar que a queda de público e arrecadação se torne uma tendência nas próximas temporadas”, concluiu.

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