O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (28) que o Sistema Único de Saúde (SUS) passa por uma 'revolução' e pediu que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgue internacionalmente o modelo brasileiro de atendimento público. A declaração ocorreu durante evento no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao lado do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto.
Defesa do SUS como exemplo global
Em discurso no pátio do hospital, Lula disse que gostaria que Tedros mostrasse ao mundo que é possível oferecer atendimento de qualidade à população mais pobre. 'Quando você puder conversar com o presidente Trump, que anunciou que ia cortar verba da Organização Mundial da Saúde, diga para ele como um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República', afirmou Lula, referindo-se ao corte de verbas dos EUA para a OMS determinado pelo então presidente Donald Trump.
O presidente também citou o próprio tratamento contra um câncer de próstata para defender a igualdade no acesso à tecnologia de saúde. 'Qualquer pessoa mais humilde que precisar fazer radioterapia vai fazer numa máquina que o Trump fará, que o Xi Jinping fará, que o Putin fará e que o Lula fará. Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente', declarou.
Universalidade e desafios do SUS
Lula enfatizou que o objetivo é provar ao mundo que é possível as pessoas mais pobres terem tratamento de saúde qualificado. 'Ninguém precisa morrer por falta de atendimento porque é pobre', disse. O presidente reconheceu que o SUS ainda enfrenta desafios, mas considerou que as ações do governo representam uma transformação no sistema. 'Ainda falta muita coisa para ser feita, mas o que nós estamos fazendo nesse período é uma revolução na saúde brasileira', completou.
Durante o discurso, Lula lembrou que Tedros recebeu atendimento pelo SUS quando esteve no Rio de Janeiro para a reunião do G20, após passar mal. 'Ele ficou doente, foi internado e foi tratado pelo SUS. Está com vida aqui', afirmou. Ao defender o caráter universal do sistema público, Lula disse que o acesso à saúde não deve depender da condição financeira do paciente. 'Não é a conta bancária que deve salvar uma pessoa. Quem deve salvar as pessoas é o compromisso do Estado brasileiro', concluiu.
Prevenção e compromisso com a saúde
Na parte final do discurso, o presidente afirmou que o governo pretende ampliar as ações de prevenção para reduzir o número de doenças e pediu que Tedros apresente a experiência brasileira ao restante do mundo. 'Quero que ele saia daqui para mostrar ao mundo que é possível tratar o povo com respeito, independentemente da cor, do sexo, da religião ou da conta bancária. Aqui no Brasil, nós gostamos de cuidar de gente', finalizou Lula.



