A partida entre XV de Jaú e Ituano, válida pelo Campeonato Paulista Sub-20, foi interrompida na tarde desta sexta-feira (31) depois que o árbitro Nelson Marques da Silva acionou o protocolo antirracismo. A medida ocorreu nos acréscimos do segundo tempo, quando jogadores do Ituano procuraram o árbitro para relatar uma ofensa racial sofrida pelo atacante João Vitor. Segundo a súmula, João Vitor disse ter sido chamado de "macaco" pelo zagueiro colombiano Eraso, que defende o XV de Jaú. A equipe de arbitragem não presenciou a ofensa, mas paralisou o jogo por alguns minutos, conforme prevê o protocolo. O atacante optou por continuar em campo, e a partida foi retomada até o apito final, terminando com a vitória do XV por 2 a 1.
Como o protocolo foi acionado
O episódio aconteceu quando a partida já se encaminhava para o fim. Nos acréscimos da etapa final, o árbitro foi procurado por atletas do Ituano, que relataram o caso. Imediatamente, o árbitro sinalizou a abertura do protocolo, interrompeu o jogo e registrou a ocorrência em súmula. A denúncia foi feita por João Vitor, atacante do Galo de Itu, que citou o zagueiro Eraso como autor da ofensa.
O protocolo em questão é o mesmo previsto no Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista, da Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele foi criado para dar resposta rápida a casos de racismo, homofobia e outras formas de discriminação nos estádios. Na prática, o árbitro pode paralisar a partida, comunicar os capitães e, se necessário, suspender ou encerrar o jogo. No caso deste confronto, os jogadores do Ituano decidiram continuar, e o duelo foi concluído normalmente.
Jogo termina com vitória do XV de Jaú
Apesar da interrupção, o resultado foi mantido. O XV de Jaú venceu o Ituano por 2 a 1, em partida válida pela fase de grupos do Campeonato Paulista Sub-20. O placar, no entanto, ficou em segundo plano diante dos episódios de intolerância registrados ao longo da partida.
Ainda de acordo com a súmula, membros do estafe do Ituano informaram que iriam registrar um boletim de ocorrência online por causa da injúria racial. Esse procedimento é previsto em casos desse tipo, já que a injúria racial é crime estabelecido na legislação brasileira.
Torcedor foge após gritos homofóbicos
Durante a paralisação do jogo, um torcedor presente no estádio proferiu gritos homofóbicos contra um dos assistentes da arbitragem. A equipe de arbitragem tentou identificar o autor das ofensas, mas ele abandonou o local correndo e não foi localizado. O caso também foi anotado na súmula, e a identificação do torcedor dependerá de imagens de segurança ou de outras diligências.
Esse tipo de atitude é igualmente repudiada pelo Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância, que prevê a atuação dos clubes e da Federação para coibir manifestações discriminatórias nas arquibancadas. A FPF já afirmou que acompanhará a apuração dos fatos.
FPF e XV de Jaú se pronunciam
Após o encerramento da partida, a Federação Paulista de Futebol divulgou nota oficial sobre o caso. No texto, a FPF lamentou e repudiou os episódios de injúria racial e homofobia. "A Federação Paulista de Futebol lamenta e repudia os casos de injúria racial e homofobia relatados durante partida entre XV de Jaú e Ituano, válida pelo Paulista Sub-20, realizada nesta sexta-feira (31)", diz um trecho da nota.
A Federação também confirmou que o protocolo foi acionado pela arbitragem e que as ocorrências foram devidamente registradas. A entidade afirmou que não compactua com racismo, homofobia, discriminação ou violência e que seguirá trabalhando para que o futebol paulista seja um ambiente de respeito e inclusão.
O XV de Jaú, clube mandante, também se pronunciou sobre a ocorrência.
Próximos passos
Agora, a súmula da partida será analisada pelas autoridades esportivas competentes. A FPF informou que acompanhará a apuração junto aos envolvidos e às autoridades. O caso pode gerar punições esportivas e também deve ser apurado na esfera criminal, já que injúria racial e homofobia são crimes tipificados.
O episódio reforça a importância do protocolo antirracismo no futebol paulista, que vem sendo constantemente acionado em diferentes categorias. A medida busca dar visibilidade a casos de discriminação e garantir que os clubes e torcedores sejam responsabilizados por atitudes intolerantes.



