Palmeiras critica STJD por denúncia contra Maurício e cobra isonomia
Palmeiras questiona STJD por denúncia contra Maurício

O Palmeiras divulgou, na tarde deste sábado, uma nota oficial em que lamenta e critica a denúncia da Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra o meia Mauricio. O clube afirma estar "absolutamente perplexo" com a decisão e alega que a medida afronta a instituição e a autoridade da arbitragem brasileira. A manifestação ocorre dois dias depois de o Palmeiras ter elogiado a arbitragem na goleada por 4 a 0 sobre o Vitória, em Salvador.

Na nota, o Palmeiras questiona por que a "convicção particular de um procurador" teria mais peso do que a análise do árbitro de campo e do VAR. O clube lembra que a equipe de arbitragem revisou o lance entre Mauricio e o zagueiro Cacá e decidiu manter o cartão amarelo. Para a diretoria, a denúncia do STJD não tem critério e ignora decisões técnicas tomadas em campo.

O Palmeiras foi até o Barradão, em Salvador, e venceu o Vitória por 4 a 0, mas o resultado ficou em segundo plano diante da polêmica envolvendo as expulsões. O time baiano teve dois jogadores expulsos com a ajuda do VAR: Cacá e Luan Cândido. Mauricio, que protagonizou um lance semelhante com Cacá, recebeu apenas o cartão amarelo. A incompreensão aumentou quando a Procuradoria decidiu denunciar somente o camisa 18 palmeirense.

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O lance que rendeu a denúncia

O episódio aconteceu durante a partida contra o Vitória, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Mauricio levou amarelo após disputar uma bola com Cacá. O VAR analisou o lance e optou por não intervir, entendendo que a punição aplicada era suficiente. Minutos depois, Cacá foi expulso após falta em Jhon Arias, com auxílio do vídeo. O mesmo recurso também ajudou a expulsar Luan Cândido, outro jogador do Vitória.

Por causa desse lance, Mauricio foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de "conduta violenta". O julgamento está marcado para a manhã da próxima terça-feira. O meia pode receber punição se os auditores entenderem que a jogada teve força excessiva ou intenção de atingir o adversário.

Palmeiras cobra isonomia e cita Pulgar e Raniele

No texto, o Palmeiras chama atenção para o que considera uma disparidade no tratamento. O clube afirma que Pulgar, do Flamengo, e Raniele, do Corinthians, cometeram "infrações similares" na mesma rodada do Brasileirão, mas não foram denunciados pelo STJD. A nota inclui vídeos dos lances para embasar a comparação.

"Chegamos, assim, à inevitável pergunta: por que somente Mauricio será julgado?", diz um trecho da manifestação. Para o clube, não há justiça quando infrações iguais recebem tratamentos distintos. A diretoria ainda afirma que a falta que motivou a denúncia dividiu opiniões entre especialistas de arbitragem, ex-atletas e jornalistas, o que tornaria a denúncia ainda mais incompreensível.

A nota também questiona a utilidade do VAR se a interpretação dos árbitros pode ser substituída dias depois pela visão de um procurador. "Se toda a interpretação técnica da arbitragem for substituída, dias depois, pela convicção particular de um procurador, para que serve o árbitro de campo e o VAR?", afirma o Palmeiras.

Histórico de reclamações contra o STJD

O Palmeiras também relembrou outras situações em que se sentiu prejudicado pelo STJD. A nota cita a punição imposta ao técnico Abel Ferreira e as suspensões aplicadas aos atletas Allan e Paulinho. Segundo o clube, esses casos, somados à denúncia contra Mauricio, reforçam "a percepção de que faltam equilíbrio e isonomia nas condutas do Tribunal envolvendo o nosso clube".

O tom da nota é duro. "O Palmeiras sempre respeitou as instituições, mas exige respeito. Não aceitaremos calados que limites institucionais sejam extrapolados e que medidas descabidas prejudiquem o trabalho de excelência desenvolvido por nossos profissionais", conclui o texto.

Próximo desafio: Copa do Brasil

Antes do julgamento de Mauricio, o Palmeiras entra em campo neste domingo, às 16h, no Nubank Parque, para enfrentar o Fortaleza. O duelo é válido pela terceira fase da Copa do Brasil e vale uma vaga nas quartas de final. O clube busca iniciar a disputa em casa com um resultado positivo para decidir o confronto fora de seus domínios.

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A possível punição a Mauricio é uma preocupação para o técnico Abel Ferreira. O meia é peça importante no elenco e, caso seja suspenso, pode desfalcar o time em jogos decisivos nas próximas semanas. O clube promete recorrer a todas as instâncias se houver condenação.

Defesa da arbitragem na quinta-feira

Na quinta-feira, o Palmeiras havia divulgado outra nota oficial, em defesa da arbitragem da partida em Salvador. Na ocasião, o clube elogiou a atuação dos árbitros e evitou críticas. A postura mudou no sábado, depois que a Procuradoria confirmou a denúncia contra Mauricio.

A mudança de tom evidencia a insatisfação da diretoria com o STJD. O clube entende que houve uma inversão de papéis: a arbitragem, que foi elogiada, viu sua decisão ser contestada pelo tribunal. Para o Palmeiras, o órgão deveria respeitar as avaliações feitas em campo, salvo em casos de erro claro e notório, o que não seria o caso.

Repercussão e próximos passos

O julgamento de Mauricio na terça-feira será acompanhado de perto pela diretoria do Palmeiras. Caso a punição seja aplicada, o clube estuda apresentar recurso no próprio STJD. A expectativa é de que o caso gere um debate ainda maior sobre os critérios da Procuradoria e os limites da atuação do tribunal.

Enquanto isso, o Palmeiras segue focado no jogo contra o Fortaleza. A vitória em casa é considerada fundamental para encaminhar a classificação. O time vem de goleada no Campeonato Brasileiro e busca manter o embalo na Copa do Brasil.