Nove canoístas cubanos desertaram durante a Copa do Mundo de Canoagem realizada em Montreal, no Canadá, segundo informações divulgadas pela imprensa local. O evento ocorreu entre os dias 14 e 16 de julho de 2026, e os atletas não retornaram ao hotel da delegação após as competições.
Detalhes da deserção
De acordo com fontes ligadas à Federação Cubana de Canoagem, os nove atletas sumiram após a última prova do domingo. Eles deixaram para trás seus pertences pessoais e documentos oficiais. As autoridades canadenses foram notificadas, mas até o momento não há informações sobre o paradeiro dos desportistas.
Este não é um caso isolado. Entre 2021 e 2023, o esporte de alto rendimento cubano sofreu inúmeras deserções, com destaque para atletas de beisebol, boxe e atletismo. A crise econômica e social na ilha, agravada pelo embargo de petróleo dos Estados Unidos e frequentes apagões, tem impulsionado essa onda migratória.
Contexto da crise cubana
O governo cubano enfrenta uma grave escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos. Em 2023, o país registrou um aumento de 40% no número de cidadãos que deixaram a ilha em busca de melhores condições de vida. Segundo o Observatório Cubano de Direitos Humanos, mais de 300 mil cubanos emigraram entre 2021 e 2023.
“A situação é insustentável para muitos atletas, que veem na deserção a única saída para continuar suas carreiras e ter uma vida digna”, afirmou um especialista em esportes cubanos, que preferiu não se identificar.
Impacto no esporte cubano
As deserções enfraquecem o programa esportivo cubano, que historicamente se destacou em modalidades como boxe, luta livre e canoagem. A perda de talentos compromete a preparação para competições internacionais, como os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O governo cubano não comentou oficialmente o ocorrido. No entanto, em declarações anteriores, autoridades esportivas culparam o bloqueio econômico dos EUA pela fuga de atletas. “O bloqueio é a principal causa da crise que leva nossos jovens a buscar oportunidades no exterior”, disse o presidente do Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação (Inder) em 2023.



