Em um teste cego promovido pelo Paladar Testou, 13 marcas de hambúrgueres congelados 100% carne bovina foram avaliadas por especialistas em São Paulo. Apenas três produtos se destacaram: Carapreta (R$ 25,99, 360 g), Wessel (R$ 32,90, 360 g) e VPJ (R$ 31,60, 420 g). A maioria, no entanto, decepcionou por problemas como textura gelatinosa, excesso de gordura, sabor artificial ou falta de suculência.
Evolução do mercado e critérios de avaliação
O teste reflete a evolução dos hambúrgueres congelados desde os anos 1990 e 2000, quando muitos produtos eram considerados “intragáveis” — com carne ultraprocessada, excesso de conservantes e proteína de soja. A virada para rótulos com “100% carne bovina” foi uma resposta ao boom das hamburguerias artesanais, que elevou a exigência do consumidor. No entanto, nem todas as marcas cumprem a promessa: algumas ainda usam estabilizantes, corantes e aromatizantes artificiais.
Os jurados — Paula Labaki, Lucas Tosta, Artur Nagae, Hérika Skaff e Diego Porto — avaliaram sabor, aroma, suculência e aparência. O ponto de cozimento e o tempero seguiram as instruções das embalagens. A maioria dos hambúrgueres foi grelhada ainda congelada, pois, segundo os especialistas, o descongelamento prévio poderia desmanchar a carne devido à moagem excessiva.
Resultados: os três melhores
O hambúrguer da Carapreta conquistou o primeiro lugar por seu sabor equilibrado, textura compacta na medida certa, coloração uniforme e suculência. Em segundo lugar, o Wessel foi descrito como “um dos melhores, sem dúvida” por um jurado, com bom formato, aroma agradável e carne suculenta. O VPJ levou o selo bronze, com coloração uniforme, textura e aroma agradáveis e sabor “bem gostoso”.
As demais marcas: problemas comuns
As outras dez marcas apresentaram defeitos recorrentes. A Aurora foi considerada excessivamente salgada e com textura de carne de soja. A Bassi/Sadia Angus teve “zero sabor” e aroma de gordura. A Bovmeat foi criticada por sabor artificial e textura gelatinosa. A Friboi, apesar da boa aparência, tinha textura “borrachuda” e sabor desagradável. A Perdigão foi descrita como “seca e muito compactada”, com sabor de carne “passada”.
A 481 estava compactada demais e com sabor fraco. A Sadia Pop era seca, fina e com aroma rançoso. A Seara foi a mais duramente avaliada: “Não é justo chamar este produto de hambúrguer”, escreveu um jurado, citando visual feio, textura esponjosa e sabor distante do esperado. A Swift tinha sabor rançoso e excesso de gordura. A Taurus esfarelou ao ser cortada, com sabor “nulo” e pedaços fibrosos.
Metodologia e transparência
Os produtos foram comprados anonimamente em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista, sem que as marcas soubessem do teste. O júri também não conhecia as marcas antes da apuração. O preparo seguiu rigorosamente as instruções das embalagens, incluindo o ponto de cozimento e a adição de tempero. Apenas duas marcas exigiam descongelamento prévio; as demais foram direto do freezer para a chapa no Cow me Burguer, cenário do teste.



