Roberto Mancini está de volta ao comando da seleção italiana, mas sua recondução ao cargo não ocorre sem controvérsia. O técnico que levou a Itália ao título da Eurocopa de 2021 foi anunciado novamente como treinador da Azzurra após um hiato de três anos, durante os quais dirigiu a seleção da Arábia Saudita. A decisão da Federação Italiana de Futebol (FIGC) de recontratá-lo gerou críticas acirradas, especialmente do ex-técnico Fabio Capello, que classificou a atitude de Mancini em 2023 como "muito grave".
Saída polêmica e retorno sob desconfiança
Mancini deixou o cargo de técnico da Itália em agosto de 2023, de forma abrupta, para assumir o comando da Arábia Saudita, em um contrato milionário. Na época, a saída foi vista como uma traição por parte da torcida e de membros da federação, pois ocorreu poucos meses antes do início das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Sob o comando de seu sucessor, Luciano Spalletti, a Itália não conseguiu a classificação para o Mundial, ampliando o trauma de ficar de fora de três Copas consecutivas (2018, 2022 e 2026).
Agora, com o retorno de Mancini, a FIGC espera que ele seja capaz de reverter esse cenário e reconstruir a equipe. "O que ele fez foi muito grave", afirmou Fabio Capello em entrevista recente, referindo-se à saída de Mancini em 2023. "Mas, se a federação decidiu trazê-lo de volta, é porque acredita que ele pode resolver os problemas. O tempo dirá se foi a escolha certa."
Missão: encerrar o trauma dos Mundiais
A Itália não participa de uma Copa do Mundo desde 2014, no Brasil. Desde então, ficou de fora dos torneios de 2018, 2022 e 2026, um fato inédito na história do futebol italiano. A ausência em três edições consecutivas é motivo de grande frustração para torcedores e dirigentes. Mancini, que comandou a conquista da Euro 2021, tem a missão de classificar a equipe para a próxima Copa, em 2030, que será sediada por Marrocos, Portugal e Espanha.
Além disso, a Azzurra disputará a Eurocopa de 2028, que será realizada no Reino Unido e na Irlanda. Para isso, a federação aposta na capacidade de Mancini de integrar jovens talentos à equipe principal. "Temos uma nova geração de jogadores promissores, e Mancini sabe como trabalhar com eles", disse o presidente da FIGC, Gabriele Gravina, em comunicado oficial.
Críticas e expectativas
Apesar da aposta da federação, a volta de Mancini é vista com reservas por parte da torcida e da imprensa italiana. Muitos questionam se ele ainda tem o mesmo prestígio e capacidade de motivar o grupo. A passagem pela Arábia Saudita não foi brilhante: embora tenha conquistado a Copa da Ásia de 2023, o desempenho em eliminatórias para a Copa de 2026 foi irregular, e a seleção saudita não se classificou para o Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México.
Segundo analistas, Mancini precisará reconstruir a confiança e apresentar resultados rápidos para silenciar os críticos. O primeiro grande teste será a Liga das Nações da UEFA, que começa em setembro de 2026. A Itália está no Grupo A2, ao lado de Bélgica, Polônia e Escócia.
Jovens talentos como esperança
Entre as promessas que devem ganhar espaço estão o atacante Matteo Cancellieri (Lazio), o meio-campista Nicolò Rovella (Juventus) e o lateral Destiny Udogie (Tottenham). Mancini também deverá contar com a experiência de jogadores como Gianluigi Donnarumma e Nicolò Barella, pilares da conquista da Euro 2021. O técnico já afirmou que pretende montar uma equipe equilibrada, mesclando juventude e vivência internacional.
A Federação Italiana espera que, dessa vez, a história seja diferente. "Estamos confiantes de que Mancini pode nos levar de volta ao topo do futebol mundial", afirmou Gravina. As críticas, no entanto, não devem diminuir tão cedo. Resta saber se o treinador conseguirá transformar o trauma em triunfo.



