O advogado André Sica, representante de Marcos Lamacchia na compra da SAF do Vasco, revelou que o investimento total será de cerca de R$ 3 bilhões, com desembolso mínimo obrigatório de R$ 2 bilhões. Em entrevista ao ge, Sica detalhou as obrigações financeiras do acordo e defendeu o cliente das acusações de conflito de interesses.
Estrutura do investimento
Segundo Sica, o primeiro pilar da operação é a dívida da Recuperação Judicial (RJ), que originalmente é de R$ 1,3 bilhão, mas após negociação cai para aproximadamente R$ 800 milhões. A dívida fiscal soma outros R$ 300 milhões, totalizando quase R$ 1,1 bilhão em passivos a serem pagos.
O segundo compromisso é equalizar o fluxo de caixa do Vasco. Atualmente, o clube gasta cerca de R$ 800 milhões por ano e arrecada R$ 500 milhões, gerando um descasamento de R$ 300 milhões. Lamacchia se compromete a aportar recursos para cobrir esse déficit por pelo menos cinco anos, garantindo mais R$ 1,5 bilhão.
Aportes para o futebol e estrutura
O terceiro pilar prevê R$ 500 milhões carimbados para o futebol, incluindo contratações e salários, ao longo de cinco anos. Além disso, há R$ 120 milhões para o centro de treinamento (CT), com prazo de 10 anos para conclusão, e R$ 30 milhões para melhorias no CT das categorias amadoras nos próximos dois anos.
Sica explicou que os R$ 500 milhões para o futebol podem ser utilizados de forma flexível: o investidor pode, por exemplo, aplicar todo o valor no primeiro ano ou distribuí-lo ao longo do período, desde que haja um acréscimo mínimo de R$ 100 milhões por ano na folha salarial.
Ausência de distribuição de lucros
O advogado destacou que Lamacchia se comprometeu a não distribuir lucros por 10 anos e a permanecer com as ações por pelo menos uma década. “Se o Marcos alcançar R$ 1,5 bilhão de faturamento, ele vai ter que pegar todo esse delta entre o que ele faturou e o que ele gasta e reinvestir no clube”, afirmou Sica.
Ele também comparou Lamacchia com a anterior gestora da SAF, a 777 Partners: “Ele tem recursos muito maiores e mais ilimitados. É um investidor local, conhecido, que não tem finalidade econômica. Ele quer pôr, não tirar.”
Processo de negociação e próximos passos
A negociação durou mais de dois anos e meio, com idas e vindas devido à política do clube. Sica revelou que Lamacchia quase desistiu várias vezes e que o mérito de mantê-lo foi do presidente do Vasco, Pedrinho. O acordo de investimento foi assinado e protocolado na Justiça, mas ainda depende de condições precedentes: abertura de processo competitivo pelo juiz da RJ, auditoria satisfatória e aprovação dos órgãos internos do Vasco.
“A gente deu um passo enorme, mas há outros passos pela frente, e não são poucos e não são simples”, disse Sica.
Conflito de interesses e situação com a 777
Sobre as acusações de conflito de interesses, levantadas pelo Flamengo junto à ANRESF, o advogado argumentou que a operação ainda não foi concluída e que, se houver conflito, ele duraria menos de um ano (até o fim do mandato de Leila Pereira no Palmeiras). “O Marcos tem total condição de implementar qualquer sugestão da ANRESF”, afirmou.
Quanto à negociação com a 777/A-CAP, Sica disse que há conversas em andamento e que o assunto será resolvido “tranquilamente” pelo Vasco, pelos profissionais contratados ou pela Justiça.
Rebaixamento não altera acordo
Por fim, Sica garantiu que o acordo não está condicionado à permanência do Vasco na Série A. “Se o Vasco cair, o acordo continua de pé. Mas o Vasco não vai cair de jeito nenhum”, concluiu.



