O Flamengo voltou da pausa para a Copa do Mundo pressionado por atuações ruins e por resultados que aumentaram a distância para o Palmeiras no Brasileirão. Em dois empates seguidos, contra São Paulo e Internacional, a equipe de Leonardo Jardim não conseguiu convencer. Nas vésperas das oitavas de final da Libertadores, o clima é de cobrança interna, e a avaliação do podcast ge Flamengo aponta que as insatisfações atingem principalmente o diretor de futebol José Boto e o departamento médico.
Críticas após empates com São Paulo e Inter
A reação às duas partidas foi imediata. Nos bastidores e publicamente, o tom foi de cobrança pela forma como o time se apresenta. O lateral Varela, por exemplo, reclamou da maneira de jogar e defendeu uma postura de recomeço, citando a necessidade de "fechar as portas e começar de novo". O zagueiro Danilo, um dos líderes do elenco, adotou discurso de autocrítica e afirmou que o grupo precisa trabalhar sem descanso no período sem jogos.
O Flamengo volta a campo no dia 9, contra o Vitória, no Maracanã. Será o primeiro teste depois da intertemporada e da dura sequência que marcou o retorno da equipe. Até lá, a comissão técnica tenta ajustar o que não funcionou contra os dois adversários.
O que restou da era Filipe Luís
Uma ala do futebol rubro-negro avalia que o Flamengo perdeu quase tudo o que tinha de bom na era Filipe Luís. Esse grupo entende que o time parou de controlar os jogos e se tornou mais vulnerável defensivamente. A leitura interna, porém, não é de conflito pessoal com Jardim. O português é descrito como direto e trabalhador, e o problema estaria no modelo de jogo e na condução dos treinamentos.
O elenco admite que ainda está assimilando as ideias do treinador. Jardim, por sua vez, enxerga a Copa do Mundo como um fator de atraso nesse processo, já que nove atletas passaram cerca de dois meses com outros treinadores, trabalhando conceitos diferentes. Danilo, após o empate com o Internacional, pediu reconexão rápida:
— O Mister tem a análise dele e vamos sempre em direção ao que o treinador pensa. Estamos juntos nos desafios, mas nós, enquanto jogadores, temos de nos reconectar o quanto antes com as ideias do Flamengo. O Mister também, o mais rápido possível conseguir reagrupar essas ideias porque as decisões vêm aí, não esperam ninguém — disse Danilo.
Desgaste com o departamento médico
Um dos pontos de maior atrito no dia a dia é a relação entre a comissão técnica e o departamento médico. Jardim já manifestou publicamente a insatisfação com a lentidão na recuperação de jogadores. Em algumas situações, os prazos informados ao treinador acabam não sendo cumpridos, como ocorreu com Pulgar e Léo Ortiz.
Sobre Léo Ortiz, Jardim deu detalhes em entrevista coletiva no início de julho, durante a intertemporada em Portugal:
— O Léo Ortiz, infelizmente, a avaliação inicial não foi correspondida. Era para parar 15 dias, esperamos três semanas e quando cheguei no aquecimento ele continuava lesionado. Por isso não tenho data para a volta. Infelizmente, porque é importante e queria ter nos treinos — disse Jardim.
A instabilidade não é novidade. Desde que Bap assumiu a presidência, em dezembro de 2024, o departamento médico passou por uma reformulação quase total. O setor ainda viveu uma crise após declaração de José Luiz Runco, ex-chefe do departamento, sobre De la Cruz, e precisou recuperar a confiança dos atletas, que demonstravam ceticismo com a metodologia aplicada.
José Boto e a rejeição crescente
Além do departamento médico, a gestão de José Boto é alvo de queixas. A relação do diretor com jogadores e funcionários está desgastada. Ele é visto como frio e dono de cobranças duras demais. A demissão de Filipe Luís, em março, aumentou a rejeição a Boto no clube.
Desde a chegada, Boto não se preocupou em ser bem-quisto. Internamente, ele é descrito como grosseiro em alguns momentos. Também há críticas pelo excesso de exposição em materiais do clube e por pedidos para que funcionários prestem serviços particulares, como limpeza. A distância em relação ao elenco é evidente.
O presidente Bap chegou a procurar substitutos, mas decidiu manter Boto, apostando também na relação do diretor com Jardim. A permanência do português para 2027, no entanto, é vista como improvável. Até lá, o clube tenta conter um desgaste que já atinge o vestiário.
Libertadores como divisor de águas
No meio do turbilhão, o Flamengo precisa reagir rápido. O time entra nas oitavas de final da Libertadores sob desconfiança, e uma eliminação precoce é considerada catastrófica para o planejamento da temporada. A equipe já caiu logo de cara na Copa do Brasil, o que aumenta a pressão sobre o trabalho de Jardim e sobre as decisões da diretoria.



