O futebol consolidou-se como o grande protagonista do mercado de apostas esportivas no Brasil. Dados recentes indicam que a modalidade responde por cerca de 70% de todas as apostas realizadas no país, superando amplamente outros esportes como basquete, tênis e e-sports. O estudo, conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, revela que a paixão nacional pelo futebol é o principal motor desse fenômeno.
O domínio do futebol nas apostas
De acordo com o levantamento, dos R$ 150 bilhões movimentados em apostas esportivas em 2025, aproximadamente R$ 105 bilhões estavam relacionados ao futebol. Esse volume representa não apenas jogos do Campeonato Brasileiro, mas também ligas internacionais, como a Premier League, La Liga e a Champions League. “O brasileiro aposta onde ele conhece, e o futebol é o esporte mais familiar”, explica Carlos Eduardo Mota, economista do Ipea.
Perfil dos apostadores e riscos
O estudo também traçou o perfil do apostador brasileiro: maioria homens (78%), com idade entre 25 e 40 anos e renda familiar entre dois e cinco salários mínimos. Cerca de 30% dos apostadores afirmam apostar semanalmente, e 12% admitem já ter tido problemas financeiros por causa das apostas. “A facilidade de acesso por aplicativos e a publicidade massiva são fatores que aumentam o risco de vício”, alerta a psicóloga Ana Paula Santos, especialista em dependência digital.
Regulamentação em debate
Com a aprovação do marco regulatório das apostas esportivas em 2024, o governo espera arrecadar cerca de R$ 10 bilhões em impostos por ano. No entanto, especialistas apontam que a fiscalização ainda é insuficiente. “Precisamos de campanhas de conscientização e limites mais rígidos para publicidade”, defende o deputado federal Ricardo Silva (PSD-SP), relator do projeto na Câmara.
Impacto no futebol profissional
O volume de apostas também levanta preocupações sobre a integridade das competições. Em 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) registrou 15 denúncias de manipulação de resultados, número que cresceu 50% em relação ao ano anterior. “O combate à manipulação é prioridade, e estamos investindo em tecnologia de monitoramento”, afirma o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
Perspectivas futuras
O mercado de apostas esportivas no Brasil deve continuar crescendo, com projeções de atingir R$ 200 bilhões até 2028. O futebol, nesse cenário, permanecerá como carro-chefe. No entanto, a sustentabilidade do setor depende de um equilíbrio entre a geração de receita e a proteção dos consumidores. “A regulamentação precisa evoluir para evitar que o esporte se torne refém das apostas”, conclui Mota.



