O Bahia chegou ao terceiro empate consecutivo no Brasileirão em um momento no qual a equipe tem mais solidez defensiva do que chances criadas no ataque. O resultado de 0 a 0 contra o Fluminense, na última quarta-feira, pela 21ª rodada, foi um claro exemplo desta nova fase do time de Rogério Ceni depois da Copa do Mundo.
O próprio Ceni falou sobre as mudanças e explicou que a nova forma de jogar passa pelo baixo rendimento dos pontas no primeiro semestre. A partir daí, a opção foi ter mais um meio-campista e se defender no 4-4-2, e não mais no 4-5-1 como acontecia até a pausa para o Mundial.
Mudança tática explicada por Rogério Ceni
“Os pontas não conseguiram render o esperado por nós. A gente tinha muita vantagem pelas pontas no ano passado, mas sem isso esse ano, demos prioridade para mais um jogador de meio de campo em detrimento a usar dois pontas abertos”, disse Rogério Ceni. “Acho que como postura de time a parada foi importante, mudamos o sistema do primeiro semestre, uma mudança grande que exige treino. Temos um time mais firme de marcação, mais competitivo, que se doa bastante. Cabe a nós elevar o nível de todos neste sentido”, completou o treinador.
Novidades na escalação e equilíbrio inicial
O modelo de jogo com dois atacantes foi novamente a escolha de Ceni. As diferenças foram as mudanças por causa das suspensões do defensor David Duarte e do lateral-esquerdo Zé Guilherme, com Marcos Victor escalado na zaga e Luciano Juba de volta ao time titular pelo flanco esquerdo do sistema defensivo. Além disso, ficou clara uma diferença de posicionamento no meio, com Rodrigo Nestor pelo lado no qual rende melhor, o esquerdo, e Jean Lucas em rara função pela direita. Outra novidade foi Juba como lateral na fase ofensiva, e não como um meia pelo centro, função exercida pelo atleta antes da lesão pré-Copa e que também foi usada em determinado momento contra o Fluminense.
O Bahia começou o jogo com posse e presença no ataque, e parecia escrever um roteiro promissor. Nem os contra-ataques do Fluminense — um deles teve falha de Marcos Victor e gol perdido por Hulk — pareciam mudar o início propositivo do time de Rogério Ceni.
Problemas na saída de bola e isolamento do ataque
O problema é que o Tricolor baiano não sustentou o aparente bom início, principalmente por causa de uma saída de bola de pouca confiança. Além disso, o meio de campo caiu de ritmo, enquanto os jogadores de ataque ficaram isolados. Ademir não teve tanto apoio pela direita, Pulga precisou flutuar várias vezes em busca de jogo, e Alejo Veliz fez um primeiro tempo de “carreira solo” dentro da área.
Com o passar da primeira etapa, o Bahia ainda teve que ter mais atenção em se defender do que atacar, mas também sem oferecer muitos espaços em um jogo morno. As finalizações de Ademir (favorável) e Martinelli (contra), nos acréscimos, deram uma falsa sensação de que o primeiro tempo havia sido bom.
Queda de desempenho no segundo tempo
Assim como no empate com o Corinthians, no último domingo, o segundo tempo foi desfavorável ao Bahia. Sem encontrar saída de bola diante dos inúmeros erros de passes, o Esquadrão também não foi feliz nos lançamentos para Alejo. A perda da posse com facilidade fez o time baiano ter o “saber sofrer” defensivamente como mantra.
Depois de 20 minutos e apenas dois ataques construídos, Rogério Ceni fez trocas. Michel Araujo entrou no lugar de um Juba ainda sem ritmo, na lateral esquerda, e Everton Ribeiro substituiu Ademir no campo ofensivo para fazer função de atacante por dentro (Pulga foi deslocado para a direita). O Bahia até ensaiou uma melhora, mas um passe errado de Everton Ribeiro para Michel Araujo, dentro da grande área, foi o mais perto do gol que o Tricolor baiano conseguiu chegar antes de Ceni trocar Jean Lucas e Erick Pulga pelos garotos da base David Martins e Kauê Furquim, aos 28 minutos.
Só que tudo piorou porque Everton Ribeiro mostrou-se nitidamente sem ritmo para organizar as jogadas e pouco eficiente na dupla com Alejo (que terminou substituído por Willian José). David Martins e Kauê Furquim deram mais energia ao ataque, mas se atrapalharam em um lance e viram Ronaldo salvar o Bahia com grande defesa em contra-ataque finalizado por Canobbio.
Defesa consistente e um ponto somado
O Tricolor baiano teve espaço de sobra para criar algum lance de ataque em minutos finais de trocação e salvar o pobre desempenho ofensivo, mas fechou o jogo com apenas uma finalização no alvo. O ponto somado no Maracanã foi fruto mesmo de uma defesa que teve desempenho consistente (e sorte em momentos de falha) e enfrentou um adversário que também não esteve inspirado.
“No segundo tempo, depois das trocas, caímos um pouco de produção, o Fluminense foi melhor. Tivemos algumas chances, mas o Fluminense teve mais volume. (...) Os últimos minutos foram quase todos do Fluminense, mas Ronaldo e a defesa foram importantes para manter esse placar”, reconheceu Ceni.
Números após a Copa do Mundo
Com 11 dias pela frente antes de enfrentar o Vasco, o Bahia pode corrigir os problemas ofensivos que parecem se repetir neste segundo semestre, principalmente nos dois últimos jogos, em busca de melhores resultados de olho no G-5. Ao menos a parte defensiva aparenta melhora em relação ao período que antecedeu a Copa do Mundo. Confira o desempenho do Bahia depois da Copa no Brasileirão:
- Bahia 2 x 0 Chapecoense - quarta rodada da Série A (14 finalizações, seis no gol);
- Atlético-MG 1 x 1 Bahia - 19ª rodada da Série A (21 finalizações, quatro no gol);
- Bahia 1 x 1 Corinthians - 20ª rodada da Série A (11 finalizações, duas no gol);
- Fluminense 0 x 0 Bahia - 21ª rodada da Série A (11 finalizações, uma no gol).
O Tricolor recebe o Vasco às 16h (de Brasília) do dia 9 de agosto, um domingo, em partida que vai ser disputada na Casa de Apostas Arena Fonte Nova e é válida pela 22ª rodada do Brasileirão.



