A tensão entre a FIFA e as principais entidades do futebol mundial escalou após a FIFPro, sindicato internacional dos jogadores, manifestar oposição ao plano da FIFA de criar uma empresa privada para gerir a Copa do Mundo e outras competições. A iniciativa, que já havia sido criticada pela UEFA e pelas seleções europeias, agora enfrenta a rejeição dos próprios atletas.
FIFPro critica falta de transparência
Em comunicado oficial, a FIFPro Europa afirmou que a proposta de transformar a Copa do Mundo em 'ativos de investimento para capital privado' remodelaria fundamental e irreversivelmente o esporte. O sindicato destacou que o projeto foi desenvolvido 'a portas fechadas', sem envolvimento dos jogadores, que não têm direito a voto nas assembleias da FIFA.
'A decisão de ignorar os mecanismos de diálogo recentemente estabelecidos entre a FIFA e a FIFPRO apenas reforça essas preocupações', diz a nota, que também alerta para os riscos à integridade do jogo e à governança do futebol mundial.
Entenda o plano da FIFA
No centro da polêmica está a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que a FIFA planeja criar para consolidar as operações comerciais de suas principais competições. A entidade estima o valor da FFE em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões). Desse total, US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões) seriam vendidos a investidores privados, que teriam participação minoritária.
A FIFA promete usar os recursos para aumentar os repasses às federações nacionais. Atualmente, cada federação recebe R$ 41 milhões; com o plano, o valor poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo da Copa de 2030, R$ 112,5 milhões em 2034 e R$ 123 milhões em 2038.
Reações e ameaças à Copa de 2030
A UEFA já havia se manifestado contra o projeto, afirmando que a FIFA 'cruza uma linha que não deveria cruzar'. A entidade europeia e suas seleções ameaçam boicotar a Copa do Mundo de 2030 caso a iniciativa seja aprovada. Agora, com a oposição da FIFPro, a pressão sobre a FIFA aumenta.
Em sua nota, a FIFPro deixa claro que não apoiará o modelo: 'A participação das partes interessadas na tomada de decisões da FIFA sempre foi limitada. Ela não deve agora ser substituída por influências comerciais'. O sindicato conclui pedindo que a FIFA reconsidere a proposta e que governos, clubes e torcedores protejam o futebol como bem público.



