O que está em jogo?
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estuda vender participações acionárias de competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo, para investidores privados. A proposta, que ainda está em fase inicial de debate, já enfrenta forte oposição dentro da própria federação. Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Associated Press, a ideia é criar um fundo de investimentos que compraria fatias de torneios como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes, gerando receita imediata para a Fifa.
Os cinco pontos da proposta
Para entender o plano de Infantino, é preciso analisar cinco aspectos principais. Primeiro, a venda seria de uma participação minoritária, ou seja, a Fifa manteria o controle das competições. Segundo, os recursos seriam usados para financiar projetos de desenvolvimento do futebol global, especialmente em países mais pobres. Terceiro, o modelo seria semelhante ao adotado por outras ligas esportivas, como a Fórmula 1, que vendeu ações para o grupo Liberty Media. Quarto, a medida exigiria aprovação do Conselho da Fifa e do Congresso da entidade. Quinto, críticos apontam que a venda poderia comprometer a independência da Fifa e aumentar a influência de interesses comerciais.
Oposição interna e externa
A proposta de Infantino encontra resistência entre membros do Conselho da Fifa e federações nacionais. O temor é que a entrada de investidores privados possa desvirtuar o caráter esportivo e social do futebol. "A Fifa não é uma empresa para ser vendida em partes", afirmou um dirigente europeu, sob condição de anonimato. Além disso, organizações de torcedores e ex-jogadores criticam a falta de transparência nas negociações.
Impacto financeiro e futuro do futebol
Caso a proposta avance, a Fifa poderia arrecadar bilhões de dólares, mas também abriria mão de parte de suas receitas futuras. Especialistas avaliam que o movimento segue uma tendência de mercantilização do esporte, observada em competições como a Premier League e a Champions League. No entanto, a Copa do Mundo é o evento esportivo mais assistido do planeta, e qualquer mudança em seu controle acionário teria repercussões globais.
Próximos passos
Infantino deve apresentar a proposta formalmente ao Conselho da Fifa em sua próxima reunião, prevista para março. Se aprovada, o tema irá ao Congresso da Fifa em maio, onde federações de 211 países terão voz. Até lá, o debate promete acirrar posições entre defensores da modernização e conservadores do futebol tradicional.



