O jogo de ida do playoff da Copa do Brasil terminou empatado em 0 a 0, no Maracanã, em uma partida em que o gramado ruim potencializou as limitações de Vasco e Fluminense. Ainda assim, o empate deixou a decisão aberta para a segunda partida, quarta-feira (5). Quem avançar enfrentará um adversário nas quartas de final – e o que ficou claro é que as duas equipes precisarão apresentar mais repertório ofensivo.
Os números mostram o equilíbrio das aparências: o Vasco teve mais posse de bola (51% a 49%), mas o Fluminense finalizou mais (12 a 6). O time de Pedro Emanuel exibiu evolução, principalmente na forma de se defender, enquanto o Fluminense, com mais tempo de trabalho sob Luís Zubeldia, pareceu mais perto da vitória em alguns momentos. Foi um confronto de impressões: de um lado, um time que buscava meios de atacar; do outro, uma equipe que tentava demonstrar superioridade.
Um duelo de fases e estilos
O duelo colocou frente a frente projetos em estágios diferentes. O Vasco se escorou em ajustes defensivos e tentou encontrar brechas para chegar ao gol, muitas vezes sem sucesso. O Fluminense, que dispõe de mais tempo de trabalho, tentava se impor, mas esbarrou na compactação vascaína. Em meio à pobreza técnica, alguns atletas se destacaram. Do lado vascaíno, Jair foi essencial no reequilíbrio da equipe, dando consistência ao meio-campo. No Fluminense, o zagueiro Ignácio desfez a sensação de fragilidade no setor defensivo, desfalcado por problemas.
Se o empate sem gols foi um retrato do que se viu em campo, ele também escancara a mediocridade geral do futebol brasileiro, que sofre com a falta de goleadores. Os dois clubes cariocas que seguem na Copa do Brasil são exemplos dessa dificuldade. O Fluminense, que empatou os últimos cinco jogos, marcou apenas três gols no recorte. O Vasco, que venceu um, empatou três e perdeu um, fez quatro gols. Os números na temporada são igualmente pobres: 53 gols em 40 jogos para o Vasco, 51 para o Fluminense.
Pressão e futuro dos trabalhos
O resultado deixa os dois times em situações delicadas. Se o Fluminense for eliminado, a pressão sobre o trabalho de Luís Zubeldia aumentará – ainda mais diante da sequência de empates e da falta de poder de fogo. No Vasco, a esperança é que Pedro Emanuel consiga usar o desempenho no clássico como base para evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Mas a realidade é que ambos precisam evoluir muito, não apenas neste torneio.
A escassez de artilheiros é um problema nacional. O artilheiro do país hoje é Mikael, do CRB, com 24 gols, à frente de Pedro, do Flamengo, com 21. O atacante rubro-negro aparece lado a lado com Alex Choco, do Crac-GO, que disputa a Série D. Um cenário que provoca reflexão sobre a formação de atacantes no Brasil.
Falta de gols nos playoffs
E o clássico não foi um caso isolado. Os outros três jogos de playoff da Copa do Brasil disputados no sábado também terminaram sem gols. O futebol brasileiro atravessa uma fase de baixa produtividade ofensiva, e a decisão da vaga pode se resolver mais por erros individuais do que por construções coletivas. O vencedor será aquele que conseguir ampliar o repertório ofensivo na segunda metade do confronto – ou que tiver a sorte de aproveitar as falhas do adversário.



