O domingo em Porto Alegre tem um ritual que se repete em padarias e estabelecimentos especializados: a compra do frango assado. A busca pelo prato, geralmente acompanhado de polenta e maionese, é motivada pela praticidade de não precisar cozinhar e pela memória afetiva de reunir a família em torno da mesa. O hábito, que já faz parte da cultura local, movimenta desde as primeiras horas do dia e envolve uma verdadeira operação logística para atender os clientes que não querem perder a tradição.
Preparo começa às 7h
Nos estabelecimentos que servem a iguaria, o trabalho começa cedo. Às 7h, o frango é temperado com a mistura típica de cada casa. Por volta das 9h, os frangos já estão nas máquinas de assar. A partir das 11h30, o movimento se intensifica: telefones tocando, mensagens chegando e entregadores saindo para as rotas de entrega.
Na cozinha, o ritmo é contínuo para preparar os complementos que não podem faltar: polenta frita, farofa e maionese. Tudo precisa estar pronto para atender à fila que se forma nas calçadas.
A técnica do frango assado
O preparo exige técnica. Leonardo Lopes, sócio-proprietário de um estabelecimento, explica a estratégia usada na assadeira:
“A parte de cima ali da assadeira é uma parte muito mais quente, então é onde vai assar primeiro. Então, vou colocando ali, conforme eles vão assando, a gente coloca ele primeiro com o peito para dentro, para assar as perninhas, depois coloca o peito para fora para terminar de assar. Quando ele tá quase no final, aumenta um pouquinho o fogo pra caramelizar, fica bem crocante por fora.”
A técnica de virar o frango na assadeira é um dos segredos para manter a suculência da carne e a textura da pele.
O toque de amor
Para a auxiliar de cozinha Caroline Cardoso dos Santos, o segredo vai além do preparo técnico. Ela conta que é preciso colocar sentimento no prato:
“E um toque de amor, né? Porque sem amor não tem sabor que façam os clientes voltarem.”
A fidelidade dos clientes, que retornam todos os domingos, parece confirmar essa receita.
Pedidos antecipados e filas
A procura é tão alta que muitos clientes antecipam os pedidos. O proprietário Cauê Carvalho relata que o domingo é, de longe, o dia de maior movimento:
“Começa a dar um movimentinho ali por quarta, quinta-feira, o pessoal já começa a reservar. E aí é na manhã, de manhãzinha, assim, oito e meia, nove, já começa a entrar pedido.”
Nas calçadas, as filas são formadas por pessoas que buscam descanso. A educadora Raquel Verdum, que aguardava no final de uma fila às 12h30, garante que a espera compensa:
“Vale sim. Só uma folga da cozinha já tá valendo. Muito bom.”
O engenheiro Bruno Becker concorda e reforça a facilidade:
“Ah, domingo o cara já acorda com uma preguicinha, já pega pronto, aqui é mais fácil.”
Para a enfermeira Rita Minucci, a simplicidade é o principal atrativo:
“É muito simples. Tu não precisa fazer o almoço, que tá tudo prontinho ali. Tu já leva a maionese, o frango e a polenta, que não pode faltar.”
Tradição e memória afetiva
A tradição do frango assado também envolve laços familiares. A dona de casa Adriana Corte conta que o prato a faz lembrar das origens:
“Virou uma tradição, domingo é dia do frango, sou do interior, a gente acaba voltando, uma memória.”
A aposentada Angela Silva destaca o momento de união proporcionado pela facilidade:
“Nossa, descansar no domingo da cozinha e confraternizar e congregar com os filhos. Isso é muito bom, isso é muito bom.”
Preços a partir de R$ 50
Os preços da refeição variam conforme o local e os acompanhamentos escolhidos. É possível encontrar frango assado com polenta a partir de R$ 50. Opções com mais guarnições chegam a custar R$ 129,90. Há também estabelecimentos que comercializam o produto por quilo, permitindo que o cliente escolha a quantidade ideal para a família.
A tradição segue firme: enquanto houver domingo, haverá fila para garantir esse prato que é sinônimo de descanso, sabor e união no Rio Grande do Sul.



