Cuiabá mostra evolução ofensiva, mas desafios no meio-campo persistem
Cuiabá: evolução ofensiva, mas desafios no meio-campo

O empate por 1 a 1 diante do Sport, na Arena Pernambuco, revelou um Cuiabá diferente daquele que enfrentou o Atlético-GO na rodada anterior. A equipe de Eduardo Barros mostrou maior agressividade ofensiva, criou oportunidades e apresentou evolução na movimentação dos jogadores de frente, mas voltou a expor dificuldades na construção das jogadas. O resultado, considerado positivo pelo técnico, não esconde os gargalos que precisam ser corrigidos para o time escapar da zona de rebaixamento da Série B.

Organização defensiva e controle de espaços

Sem a bola, o Cuiabá se organizou no 5-4-1, com três zagueiros e uma linha de quatro no meio-campo. O posicionamento intermediário dificultou a criação do Sport, que teve dificuldade para penetrar na defesa. A equipe conseguiu controlar os espaços sem recuar excessivamente ou adiantar demais a marcação, mantendo o adversário distante da área em boa parte do primeiro tempo. Essa postura, no entanto, não se traduziu em transições rápidas para o ataque.

Transição ofensiva e o dilema de Raul e Calebe

O principal desafio do Cuiabá aparece na transição defesa-ataque. A formação com três zagueiros e uma segunda linha mais preenchida aumenta a proteção defensiva, mas reduz as opções para conectar os setores e aproximar o meio-campo dos atacantes. Um dos pontos críticos está na função de Raul e Calebe. Ambos acabam ocupando espaços semelhantes dentro de campo: Raul atua como primeiro volante, enquanto Calebe frequentemente se posiciona muito próximo, praticamente desempenhando função parecida. Isso diminui uma opção de passe no meio-campo e dificulta a chegada da bola ao ataque. No gol sofrido contra o Sport, essa falta de clareza ficou evidente: Perotti recebeu a bola com liberdade dentro da área. Raul estava atrás do atacante e não conseguiu reduzir o espaço nem retardar a progressão da jogada. Calebe demorou a tomar a decisão, hesitou e permitiu que Perotti invadisse a área sem sofrer o combate necessário. O atacante do Sport finalizou com liberdade e marcou.

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Evolução ofensiva e reação positiva

Na parte ofensiva, o Cuiabá mostrou evolução importante. Jean Dias e Rodrigo Rodrigues conseguiram dar profundidade pelos lados, enquanto Fábio Gomes apresentou movimentação melhor e participou mais das ações ofensivas. Mesmo com menos posse de bola, finalizações e passes que o Sport, o time conseguiu ser mais objetivo. A reação após sofrer o gol também foi um ponto positivo: Fábio Gomes marcou de cabeça após cruzamento de Lorenzo, garantindo o empate.

Meio-campo carece de soluções

Para melhorar a criação, o Cuiabá precisa encontrar uma alternativa para o meio-campo. Sem reforços para a posição, David Miguel e Pepê – que desfalcou a equipe contra o Sport por suspensão – aparecem como as principais opções para atuar mais próximos do ataque. O problema está no modelo de jogo de Eduardo Barros. A necessidade de recomposição defensiva faz com que ambos atuem longe da área adversária, reduzindo a participação na construção das jogadas. Além disso, por desempenharem função diferente de suas principais características, acabam cometendo mais faltas. Não por acaso, David Miguel divide com Douglas Teixeira, do Avaí, a liderança em cartões amarelos da Série B, com nove advertências em 20 rodadas. No caso de Pepê, a exigência física também pesa: o constante vai e vem entre defesa e ataque provoca desgaste ao longo da partida, reduzindo sua intensidade na etapa final e, consequentemente, sua influência na organização ofensiva.

Ataque entre os piores da Série B

Com as dificuldades para criar e finalizar, o Cuiabá chegou a 15 gols em 20 partidas, mantendo-se entre os três piores ataques da Série B. O próximo compromisso será diante do Fortaleza, na Arena Pantanal. Com 13 dias de preparação, Eduardo Barros terá tempo para buscar soluções que aumentem o poder ofensivo da equipe e ofereçam mais alternativas na construção das jogadas. Em entrevista após o jogo, o treinador destacou a importância do ponto conquistado: "Precisamos celebrar esse ponto, mas temos clareza do que precisa ser melhorado. O time evoluiu, mas ainda há muito trabalho pela frente."

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