Uma movimentação interna para enfraquecer o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ganhou força nos bastidores da entidade, conforme apuração recente. A insatisfação de federações nacionais com a gestão de Infantino, especialmente após sua aproximação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a proposta de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo, elevou o clima de tensão e isolamento do dirigente.
Plano de oposição interna
Segundo fontes ligadas a federações, um grupo de dirigentes passou a articular um plano para limitar os poderes de Infantino e reduzir sua influência nas decisões estratégicas da entidade. A ideia central seria criar mecanismos de controle mais rígidos sobre a administração da Fifa, incluindo a supervisão de contratos comerciais e a distribuição de receitas.
A proposta de vender uma parcela dos direitos comerciais da Copa do Mundo, que poderia injetar bilhões de dólares nos cofres da entidade, é vista por muitos como uma manobra para aumentar o poder pessoal de Infantino, já que ele teria autonomia para negociar com parceiros privados sem a aprovação do conselho. Essa medida, no entanto, gerou reação imediata de federações que temem perder o controle sobre um dos ativos mais valiosos do futebol mundial.
Relação com Trump agrava crise
A relação próxima entre Infantino e Donald Trump, evidenciada em eventos públicos e na participação do ex-presidente na final da Copa do Mundo de 2026, em Nova Jersey, ampliou o desconforto entre os membros da Fifa. Muitos dirigentes consideram que essa aliança política pode comprometer a imagem de neutralidade da entidade e afastar parceiros comerciais e governos de países que mantêm relações tensas com os Estados Unidos.
Durante a recepção na Trump Tower, em julho de 2026, Infantino apareceu ao lado de Trump em um gesto de apoio mútuo, o que foi interpretado por críticos como uma tentativa de usar o futebol para fins políticos. A imagem repercutiu negativamente em diversos países, especialmente na Europa e em nações em desenvolvimento, onde a Fifa já enfrenta questionamentos sobre transparência e governança.
Federações articulam resistência
Diante do cenário, federações de diferentes confederações começaram a se reunir para discutir uma resposta coordenada. Há conversas para apresentar uma moção de desconfiança contra Infantino no próximo Congresso da Fifa, além de exigir a criação de uma comissão independente para auditar as negociações comerciais.
Um dirigente de uma federação europeia, que preferiu não se identificar, afirmou: "A venda dos direitos comerciais sem um debate amplo é inaceitável. Precisamos garantir que os recursos sejam usados em benefício do futebol em todo o mundo, e não para fortalecer o poder pessoal de um homem."
Outro ponto de discórdia é a falta de transparência nos contratos assinados nos últimos anos, incluindo acordos com empresas ligadas ao governo dos Estados Unidos. A suspeita é de que Infantino esteja usando a Fifa como plataforma para obter vantagens políticas e financeiras fora do âmbito esportivo.
Impacto no futebol mundial
Especialistas alertam que a crise interna na Fifa pode ter consequências diretas para o futebol, como atrasos em investimentos em categorias de base, programas de desenvolvimento e competições femininas. A instabilidade também pode afetar as negociações de patrocínio para a Copa do Mundo de 2030, que será realizada em três continentes, e a definição das sedes dos próximos torneios.
Além disso, a imagem da Fifa, já abalada por escândalos de corrupção no passado, corre o risco de se deteriorar ainda mais. A proximidade com Trump, figura polarizadora, e a tentativa de concentrar poder podem levar a boicotes de patrocinadores e emissoras de televisão, que historicamente são sensíveis a controvérsias políticas.
Próximos passos
O Conselho da Fifa deve se reunir nos próximos meses para discutir a proposta de venda dos direitos comerciais. No entanto, a pressão das federações deve forçar um recuo de Infantino ou, pelo menos, a abertura de um debate mais amplo sobre o futuro da entidade. Alguns dirigentes já defendem a realização de uma assembleia extraordinária para tratar exclusivamente do tema.
Enquanto isso, Infantino tenta minimizar a crise e reforçar sua base de apoio em confederações menores, que historicamente dependem dos recursos da Fifa. No entanto, a tendência é que o movimento de oposição ganhe força, especialmente se novas revelações sobre os acordos com Trump e seus aliados vierem a público.
A crise na Fifa, portanto, está longe de ser resolvida. O desfecho dependerá da capacidade das federações de se unirem em torno de uma agenda de reformas e da habilidade de Infantino em reverter o isolamento que ele mesmo ajudou a criar.



