Coreano atravessa continentes para ver Corinthians e se encanta com torcida
Coreano se encanta com torcida do Corinthians

O sul-coreano Hyeseong Kim, de 33 anos, atravessou continentes para acompanhar o Corinthians. Depois de ver a seleção de seu país na Copa do Mundo de 2026, no México, ele estendeu a viagem até o Brasil para realizar o sonho de infância de conhecer o futebol brasileiro e a Neo Química Arena.

Kim esteve presente nas arquibancadas do jogo contra o Remo, na primeira partida corintiana no Brasileirão após a pausa para o Mundial. Na ocasião, o Corinthians derrotou a equipe visitante por 3 a 0, em noite inspirada de Yuri Alberto. Torcedor do FC Seoul e fã de Jesse Lingard, meia-atacante inglês que vestiu a camisa da equipe asiática entre 2024 e 2025, Kim contou ao ge sobre sua relação com o atleta, que foi da desconfiança à admiração.

Sonho antigo realizado

O interesse de Kim pelo Corinthians começou anos antes da chegada de Lingard. Ele conta que passou a prestar atenção no clube por conta de Ronaldo Fenômeno, jogador que o impressionou durante a Copa do Mundo de 2002, sediada na Coreia do Sul e no Japão. “Naquela época, muitos coreanos não conheciam o futebol mundial. Só algumas poucas pessoas acompanhavam o futebol internacional. Mas o Ronaldo jogou de forma incrível. Para nós, ele era o melhor jogador do mundo”, relembra.

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Anos depois, em 2009, o retorno do Fenômeno para o futebol brasileiro o fez olhar pela primeira vez para o clube escolhido pelo ídolo. “Naquele momento, eu conheci o Corinthians e fiquei muito interessado. Pensei: 'O que é esse clube? Por que o Ronaldo escolheu esse time?'. No videogame, eu tentava contratar o Ronaldo. Quando ele jogava na Europa era muito caro, então eu não conseguia contratá-lo. Mas, no Corinthians, era relativamente possível tentar. Essa é a minha lembrança do Corinthians. Eu negociava a contratação do Ronaldo”, explica.

Viagem pelo Brasil

Foi também o Mundial que tornou o Brasil pentacampeão que despertou nele a paixão pela modalidade — e a vontade de conhecer o país que era casa do melhor futebol do mundo. A oportunidade surgiu em 2026. Depois de acompanhar a seleção sul-coreana na Copa do Mundo, disputada no México, Kim percebeu que estava mais perto do Brasil do que jamais estivera. Aproveitou a viagem para desembarcar no Rio de Janeiro, onde acompanhou junto com a torcida local a eliminação da seleção na partida contra a Noruega.

Depois de visitar o Estádio do Maracanã, ele passou por Belo Horizonte para encontrar um amigo e chegou ainda a passear por Mirassol, para conhecer o único atleta sul-coreano em atuação por um clube da Série A do Brasileirão: Chico Kim. “Ele foi muito gentil comigo, me recebeu muito bem, me deu a camisa dele e me convidou para assistir a um treino. Conheci o centro de treinamento do clube e até almocei com os jogadores no restaurante deles. Guardo uma lembrança muito boa do Mirassol”, conta.

Novamente no estado de São Paulo, Kim enfim conheceu a Neo Química Arena — e o time pelo qual resolveu torcer no Brasil. “Fui até lá para encontrar o Jesse Lingard, mas, no começo, o meu lugar não era bom para conseguir cumprimentá-lo. Cheguei tarde perto dele, foi difícil. Mas muitos torcedores me ajudaram, eles chamavam o Jesse no meu lugar. Falavam algo como: 'Olha ele! Ele está aqui!'”, relata.

Apesar de não conseguir uma foto, Kim chamou a atenção do atleta, que permaneceu no banco até metade do segundo tempo. “Finalmente o Jesse Lingard me viu, acenou e falou algo para os companheiros de equipe, como: 'Aquele cara veio da Coreia do Sul'. Foi um momento muito especial”, emociona-se.

Um corinthiano na Coreia

A visita fez Kim adotar o Corinthians oficialmente como seu clube brasileiro. Para quem pretende conhecer todos os países do mundo e ter um time em cada um deles, a passagem pela Neo Química Arena foi suficiente para colocá-lo entre os integrantes do chamado “bando de loucos”. “Já tinha ouvido dizer que era um dos melhores estádios e uma das melhores torcidas do Brasil, mas foi ainda melhor do que eu esperava. Os torcedores eram muito apaixonados, eles apoiaram o time durante os 90 minutos e tinham muitas formas diferentes de torcer. Eles dançavam. Todo mundo se movimentava junto, de um lado para o outro, cantavam, gritavam. Foi realmente uma das torcidas mais impressionantes que já vi”, afirma.

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A identificação com o clube não deve terminar quando ele voltar para casa. Kim garante que pretende continuar acompanhando o Corinthians da Coreia do Sul, assim como outros fãs de Lingard, e afirma que a viagem despertou apreço também por outros jogadores do elenco. “Na Coreia, existe um pequeno grupo de pessoas que acompanha o Corinthians por causa do Jesse Lingard. Vou continuar fazendo isso. Também sei que hoje o Corinthians tem o Memphis Depay. E agora sou fã do Yuri. O Yuri Alberto é um jogador muito, muito bom”, diz.

Para ele, a experiência vai além da torcida por um clube. O sul-coreano acredita que o futebol pode aproximar os dois países e espera que histórias como a dele se tornem mais comuns. “Historicamente, Coreia e Brasil não tiveram muita relação no futebol. Por isso acho que conexões como a do Chico Kim e a do Jesse Lingard são muito importantes para nós. Espero que existam muito mais relações desse tipo no futuro”, finaliza.