Botafogo acusa John Textor de fraude e aciona mecanismo para assumir controle da SAF
Botafogo acusa John Textor de fraude e mira controle da SAF

O Botafogo acusou o empresário americano John Textor de 'atos fraudulentos' e acionou um gatilho contratual para se tornar acionista majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. A medida, anunciada neste sábado, reduz drasticamente a participação da Eagle Football Holdings, controlada por Textor, e abre caminho para que a GDA Luma adquira 90% das ações, enquanto o Botafogo ficaria com 10%.

Acusações de desvio de verbas

De acordo com o clube social alvinegro, Textor teria repassado ao Lyon, clube francês também controlado por ele, valores que deveriam ser destinados como aporte obrigatório à SAF do Botafogo. A acusação formal foi feita em nota oficial, na qual o Botafogo alega que o empresário 'praticou atos fraudulentos' ao desviar a verba. O clube não divulgou o montante exato envolvido, mas fontes internas indicam que se trata de milhões de reais.

O presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, afirmou: 'Não podemos permitir que o patrimônio do clube e o futuro do futebol botafoguense sejam comprometidos por manobras financeiras ilegítimas. Estamos tomando todas as medidas legais para proteger a instituição.'

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Gatilho contratual acionado

O mecanismo acionado pelo Botafogo está previsto no contrato de venda da SAF para a Eagle Football. Com a alegação de fraude, o clube social pode retomar o controle acionário, reduzindo a participação de Textor a uma posição minoritária. Na prática, a GDA Luma, empresa ligada ao Botafogo, passaria a deter 90% das ações da SAF, enquanto o clube social manteria 10%.

A Eagle Football Holdings, que atualmente controla a SAF, emitiu nota negando as irregularidades. 'As acusações são infundadas e fazem parte de uma estratégia para reverter o acordo firmado. Confiamos na transparência de nossas operações e recorreremos às instâncias cabíveis', declarou a empresa.

Impacto e próximos passos

A decisão do Botafogo de acionar o gatilho representa uma escalada significativa na disputa entre o clube e John Textor, que já dura meses. Se concretizada, a mudança no controle acionário pode alterar os planos de investimento e gestão do futebol do Botafogo, que vinha sendo gerido pela Eagle Football desde 2022. O clube afirmou que buscará na justiça a confirmação da fraude e a execução do gatilho contratual.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o caso pode gerar um longo litígio, com implicações para a credibilidade do modelo de SAF no Brasil. 'É um precedente delicado. Se a justiça reconhecer a fraude, isso pode fortalecer os mecanismos de proteção dos clubes sociais', avaliou o advogado especialista em direito desportivo, Carlos Mendes.

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