Em uma partida emocionante e marcada pela racionalidade, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 na tarde desta quarta-feira, em Atlanta, pela semifinal da Copa do Mundo 2026. A virada veio nos minutos finais, com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, garantindo a presença da Albiceleste em mais uma final.
Primeiro tempo: muita marcação e poucas finalizações
O confronto, repleto de história dentro e fora de campo, começou com muita intensidade. Até os 24 minutos do primeiro tempo, quando ocorreu a parada para hidratação, foram dez faltas marcadas — cinco para cada lado — e nenhuma finalização. Números totalmente fora dos padrões da Copa. Ambas as equipes buscavam marcar de forma agressiva já no campo de ataque.
A Inglaterra contou com recuos de Harry Kane, atraindo Lisandro Martínez para longe da linha defensiva argentina, e tentou passes em profundidade para Rogers, sem sucesso. Pelo lado argentino, Messi e Julián Álvarez também recuavam para gerar linhas de passe. Apesar de envolverem-se em trocas que superavam a pressão inglesa, a Argentina não conseguia chegar perto da área com perigo.
Inglaterra mais perigosa, mas Argentina resiste
Houve momentos em que Argentina e Inglaterra se empurravam para trás. Mesmo com menos posse de bola, os europeus eram mais perigosos. Spence teve ações interessantes pela esquerda, e Bellingham sofreu faltas nas imediações da área. Stones cabeceou perto da trave esquerda de Dibu Martínez, que também afastou uma cobrança fechada de Reece James. O lance perigoso da Argentina veio em uma falta sofrida por Messi: Enzo Fernández bateu de longe e a bola passou perto do ângulo de Pickford.
Após a parada para hidratação, a Inglaterra ajustou sua pressão na saída de bola sul-americana. Rogers e Gordon centralizaram para combater os zagueiros, enquanto Harry Kane vigiava Paredes. Enzo e Mac Allister eram combatidos por Rice e Bellingham. Dibu Martínez teve que fazer ligações diretas com mais frequência. A Argentina terminou a primeira etapa com 12 faltas em 48 minutos, uma infração a cada quatro minutos.
Segundo tempo: Argentina pressiona, mas sofre gol
A Inglaterra manteve a maneira de marcar no segundo tempo, e a Argentina usou uma bola longa de Dibu para assustar. Giuliano Simeone escorou de cabeça, e Julián Álvarez obrigou Pickford a trabalhar em um bom arremate no canto esquerdo. O camisa 9 ainda pegou o rebote e mandou na rede pelo lado de fora.
Quando a Argentina vivia seu melhor momento, sofreu o gol. Em um recuo de Harry Kane sem acompanhamento, o centroavante lançou Rogers. Tagliafico cortou, mas Rice não foi seguido por Paredes e tocou para Rogers cruzar e Gordon marcar. Molina foi mal no lance. Scaloni tirou Paredes aos 18 minutos e colocou Nico González, passando a trabalhar com dois homens mais agudos pelos lados.
Pressão argentina e virada heroica
Pickford fez uma grande defesa para deter a cabeçada de Nico González em cruzamento de Messi. A Inglaterra conseguiu uma saída perigosa depois do gol, novamente com Harry Kane como armador, mas a pressão dos atuais campeões mundiais era forte. Messi começou a chamar a bola em todas as ações ofensivas e encaixou bons passes e dribles perto da área.
De Paul, Montiel e Otamendi entraram logo após a parada para hidratação. Montiel passou a ser um lateral mais projetado pela direita. Logo depois de entrar, De Paul cruzou na cabeça de Mac Allister, que acertou a trave. Na sequência, Pickford parou a mesma combinação. A Inglaterra já tinha Konsa em campo e havia formado uma linha de cinco atrás, em bloco baixo. O´Reilly e Burn entraram, e o time passou a ser um 5-4-1 definido.
A Argentina rondava a área com inteligência, trocando passes até mexer a defesa inglesa de um lado a outro. Enzo Fernández parou em grande defesa de Pickford em chute de longe, mas logo depois furou a meta inglesa. Recebeu na entrada da área em escanteio cobrado curto pela direita e bateu no canto de Pickford, que pulou atrasado. O empate foi justo pela maneira como a Argentina buscou o gol, mas também pela forma como a Inglaterra basicamente só se defendeu depois de abrir o placar.
O castigo foi ainda mais pesado para os europeus. Depois de um chute de Mac Allister na trave esquerda, Messi iludiu a marcação pela direita e cruzou com a perna destra para Lautaro Martínez subir de cabeça e virar o placar aos 47 minutos. Tuchel ainda tentou mudar o cenário com as entradas de Toney e Rashford, mas era tarde demais. A Inglaterra entrou no modo proteção de resultado muito cedo e pagou caro.



