Infantino convoca reunião no Marrocos para lidar com crise na Fifa
Infantino convoca reunião no Marrocos para crise na Fifa

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência para a próxima quarta-feira, em Rabat, no Marrocos, com altos dirigentes da entidade, para discutir a grave crise institucional que se instalou após o fracasso de sua proposta de captação de investimento privado. A informação foi divulgada pelo portal Sky Sports.

Pressão sobre Infantino aumenta após rejeição ao plano de investimento

Infantino está sob forte pressão para renunciar ao cargo depois que o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de participações em futuras receitas da entidade para investidores privados, não obteve o apoio necessário das federações nacionais. A rejeição ao plano foi quase unânime, com várias federações manifestando publicamente sua oposição.

Nesta terça-feira, o diretor de desenvolvimento global do futebol da Fifa, Arsène Wenger, afirmou que não participou da elaboração do plano do suíço e classificou o recuo da ideia como "absolutamente necessário e incontestável". O ex-técnico do Arsenal também destacou a importância de manter a independência da entidade máxima do futebol.

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"Acredito firmemente em uma Fifa independente, que sirva ao nosso esporte com compromisso, transparência e integridade", declarou Wenger, em um claro recado à gestão atual.

Blatter sugere sucessora e aumenta isolamento de Infantino

O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, que foi afastado do cargo em 2015 após escândalos de corrupção, também se manifestou e sugeriu o nome da presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, para assumir o posto de Infantino. Em publicação nas redes sociais, Blatter elogiou a postura da dirigente nórdica.

"Lise Klaveness merece o maior respeito. Ela foi a única que sempre assumiu uma posição clara e não seguiu a corrente dominante. E, na Fifa, chegou o momento de uma mulher assumir a liderança", escreveu Blatter, que ainda mantém influência nos bastidores do futebol mundial.

A reunião de Rabat acontece em um momento delicado para a imagem da Fifa, que já enfrentava questionamentos sobre sua credibilidade internacional. A crise interna pode ter impactos diretos em decisões estratégicas, como a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2030 e 2034, além de comprometer a captação de recursos para projetos de desenvolvimento do futebol em países emergentes.

Federações cobram transparência e governança

As federações que rejeitaram o FFE argumentam que o plano era contrário aos princípios de governança e transparência que a entidade vem tentando implementar nos últimos anos. Além disso, temem que a venda de participações em receitas futuras possa comprometer a autonomia da entidade em decisões comerciais e esportivas.

O clima de insatisfação é agravado pelo fato de que Infantino, que assumiu a presidência em 2016, prometeu uma gestão mais limpa e moderna, mas agora se vê enredado em mais uma polêmica. A reunião no Marrocos será um teste crucial para a permanência do suíço no cargo, e fontes ligadas à entidade indicam que, caso a pressão aumente, Infantino pode ser forçado a convocar um congresso extraordinário para discutir sua saída.

Enquanto isso, a comunidade do futebol internacional acompanha com apreensão os desdobramentos. A possível chegada de uma mulher à presidência da Fifa seria um marco histórico, mas a escolha de Klaveness, que é vista como uma reformista, pode enfrentar resistência dos cartolas mais conservadores.

O encontro de Rabat, que terá a presença de dirigentes das seis confederações continentais, deve definir os próximos passos da entidade. A expectativa é que, após a reunião, Infantino se pronuncie publicamente para tentar conter a crise e garantir seu mandato até 2027.

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