A crise na Federação Internacional de Futebol (Fifa) se intensificou com a oposição declarada de três das seis confederações que compõem a entidade: a Uefa, a Concacaf e a AFC. As três se voltaram contra o presidente Gianni Infantino após uma polêmica envolvendo a venda de ações, tema que provocou reação imediata e gerou um movimento articulado para restringir o poder do dirigente.
O recuo do presidente da Fifa não encerrou a crise. Conforme relatos da imprensa internacional, as confederações acusam a gestão de Infantino de falta de transparência e já trabalham com a possibilidade de promover alterações estatutárias que impeçam a reapresentação de proposta semelhante. O movimento é liderado pelas entidades da Europa, da América do Norte e Central e da Ásia, que juntas concentram grande parte da receita e dos votos no conselho da Fifa, entidade que reúne 211 federações filiadas.
Entenda a polêmica
Os detalhes da proposta de venda de ações não foram divulgados oficialmente, mas a simples existência do plano foi suficiente para acender o alerta entre as confederações. A preocupação central é que uma operação dessa natureza possa comprometer a governança do futebol mundial, criando conflitos de interesse e abrindo precedentes para a comercialização de decisões estratégicas.
Embora o plano tenha sido retirado de pauta, as confederações envolvidas consideram que a tentativa expôs um problema estrutural: a falta de mecanismos de consulta e supervisão nas decisões da cúpula da Fifa. Por isso, o movimento atual não se limita a um repúdio pontual; há uma articulação para que o episódio sirva de lição e gere mudanças concretas nos estatutos da entidade.
Articulação das confederações
De acordo com apurações de veículos europeus, as três confederações já mantêm conversas para desenhar propostas de reforma. Entre as medidas estudadas estão a obrigatoriedade de consulta prévia às confederações para operações societárias e a criação de comitês independentes de auditoria. Nada foi confirmado oficialmente, mas a sinalização é de que o grupo pretende apresentar as sugestões no próximo congresso da Fifa.
O movimento ganha relevância em um cenário de concentração de poder na presidência da entidade. Infantino, que está à frente da Fifa desde 2016, já enfrentou críticas por sua gestão vertical e por decisões polêmicas em temas como a Copa do Mundo no Catar e o projeto de expansão do Mundial de Clubes. A nova crise reforça a percepção de que as confederações buscam reequilibrar o jogo de forças dentro da entidade.
O que está em jogo
A pressão sobre Infantino ocorre em um momento estratégico, com a Fifa se preparando para sediar a Copa do Mundo de 2026 em parceria com Estados Unidos, Canadá e México. Uma imagem de Infantino ao lado de Donald Trump com a taça da Copa do Mundo em uma final do torneio é frequentemente citada como exemplo da proximidade do dirigente com líderes políticos, o que alimenta críticas sobre a condução da entidade.
Apesar das divergências, as confederações não sinalizam uma ruptura completa com a Fifa. O objetivo, segundo as informações disponíveis, é corrigir rumos e criar salvaguardas. Há, no entanto, um clima de expectativa sobre como Infantino responderá a esse novo desafio. A sua sobrevivência política no cargo dependerá da capacidade de dialogar com as entidades que agora se opõem a ele e de dar sinais concretos de transparência.
Enquanto isso, o episódio entra para a história recente da Fifa como um dos mais delicados desde a reforma que se seguiu aos escândalos de corrupção de 2015. As confederações agora cobram mudanças estruturais, e o desfecho dessa disputa pode definir o futuro da administração do futebol mundial.



