Pesquisa revela que Copa Feminina já atrai 62% dos brasileiros
Copa Feminina atrai 62% dos brasileiros, diz pesquisa

Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto DataFolha, encomendada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), revela que 62% dos brasileiros declaram interesse em acompanhar a Copa do Mundo Feminina de Futebol. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (30), entrevistou 2.500 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 15 e 20 de julho.

Interesse crescente pelo futebol feminino

O número representa um aumento significativo em relação a pesquisas anteriores. Em 2019, quando a última edição do torneio foi realizada na França, o interesse era de 48%. O crescimento de 14 pontos percentuais em quatro anos reflete a evolução da modalidade no cenário nacional. Segundo a CBF, a audiência das transmissões da última Copa Feminina no Brasil superou 30 milhões de telespectadores.

De acordo com o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, o resultado é fruto de investimentos consistentes no futebol feminino. "Trabalhamos para dar visibilidade às atletas e promover competições de alto nível. Esse aumento no interesse mostra que o caminho está certo e que o público brasileiro abraça cada vez mais a modalidade", afirmou.

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Perfil do público interessado

A pesquisa também traçou o perfil dos brasileiros que acompanharão o torneio. Entre as mulheres, 68% demonstraram interesse, enquanto entre os homens o índice foi de 56%. A faixa etária com maior entusiasmo é de 18 a 34 anos, com 71% de adesão. Já entre os mais velhos, acima de 60 anos, o interesse cai para 45%.

Regionalmente, o Nordeste se destaca com 66% de interesse, seguido pelo Sudeste com 61%, e o Sul com 58%. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentam percentuais de 60% e 55%, respectivamente. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

Impacto na mídia e nos patrocinadores

O crescimento do interesse reflete diretamente na grade das emissoras e nos investimentos publicitários. A Globo, detentora dos direitos de transmissão, já confirmou cobertura ampliada para a Copa Feminina de 2023, com mais horas de programação dedicadas ao evento. "A audiência do futebol feminino cresceu mais de 40% nas últimas temporadas. As marcas estão de olho nesse potencial", destaca a analista de mídia esportiva, Marina Santos.

Patrocinadores como a Nike, a Ambev e o Banco do Brasil já fecharam contratos de patrocínio com a seleção feminina. O valor estimado de investimento em mídia para o torneio deve ultrapassar R$ 200 milhões, segundo a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap).

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço, o futebol feminino ainda enfrenta desafios. A disparidade salarial em relação ao masculino e a falta de estrutura em clubes menores são pontos críticos apontados por especialistas. "O interesse do público é um passo importante, mas precisamos de políticas públicas e privadas que sustentem o desenvolvimento da base", afirma a ex-jogadora e comentarista, Raquel Oliveira.

A CBF anunciou que destinará 10% de sua receita com direitos de transmissão para investimentos no futebol feminino nos próximos quatro anos. A medida, segundo Ednaldo Rodrigues, visa garantir a continuidade do crescimento. "Queremos que a seleção feminina seja referência mundial, dentro e fora de campo", concluiu.

Próximos passos

A Copa do Mundo Feminina de 2023 será realizada na Austrália e Nova Zelândia, entre 20 de julho e 20 de agosto. O Brasil estreia no dia 24 de julho contra a Alemanha, em Melbourne. A expectativa da CBF é que a audiência supere 40 milhões de telespectadores no país.

Com o interesse de 62% dos brasileiros, a competição promete ser um marco para o futebol feminino no Brasil, consolidando uma nova era de visibilidade e investimento na modalidade.

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