A Copa do Mundo de 2026, considerada a maior de todos os tempos, foi palco de diversas mudanças nas regras do futebol. A International Football Association Board (IFAB), organização que escreve as leis do futebol há mais de 140 anos, aprovou um pacote de alterações no protocolo em 28 de fevereiro, que entrou em vigor a partir do Mundial. O objetivo principal foi dar mais agilidade ao jogo. Com o fim da competição, o ge reúne abaixo todos os casos em que a arbitragem aplicou as novas regras.
Expulsão por cobrir a boca: 2 casos
Uma das regras mais polêmicas do novo protocolo prevê expulsão sempre que um jogador cobre a boca durante uma discussão em campo. O atacante paraguaio Miguel Almirón foi o primeiro expulso na Copa do Mundo pela nova regra da International Board, que determina cartão vermelho para o atleta que cobrir a boca em situação de confronto. A Conmebol e a Uefa não adotarão a chamada "Lei Vini Jr" em suas competições.
Almirón não foi o único expulso pela nova regra. O equatoriano Hincapié cobriu a boca durante uma discussão com Santi Giménez e foi flagrado pela equipe de vídeo, que orientou o árbitro a expulsar o defensor. Os lances ocorreram em: Almirón (Paraguai) cobriu a boca ao discutir com Müldür aos 44 minutos do 1º tempo em Turquia 0 x 1 Paraguai; Hincapié (Equador) cobriu a boca ao discutir com Santi Giménez aos 49 minutos do 2º tempo em México 2 x 0 Equador.
Cartão por simulação: 2 vezes
O paraguaio Almirón também foi alvo das novas regras de revisão por simulação. No protocolo de erro de identidade, o árbitro holandês Danny Makkelie foi ao vídeo, aplicou o amarelo a Almirón por simular a falta e cancelou o cartão que havia dado, por engano, ao zagueiro Ream. O mesmo protocolo entrou em ação na eliminação da Suíça, derrotada por 3 a 1 pela Argentina nas quartas de final. Com o placar empatado em 1 a 1, Embolo simulou uma falta de Paredes. O árbitro português João Pinheiro havia amarelado o argentino, mas reviu o lance no vídeo e voltou atrás na decisão. Embolo recebeu o segundo amarelo, deixou a Suíça com um jogador a menos e a seleção foi eliminada. Os lances: amarelo para Almirón por simulação e amarelo anulado de Ream em Estados Unidos 4 x 1 Paraguai; vermelho para Embolo por segundo amarelo por simulação e amarelo anulado de Paredes em Argentina 3 x 1 Suíça.
Repetição de cobrança de escanteio: 1 vez
Uma das novas regras prevê que o árbitro pode mandar repetir a cobrança de escanteio, falta ou pênalti quando um jogador comete infração antes de a bola entrar em jogo. O caso aconteceu na eliminação da Noruega para a Inglaterra na derrota por 2 a 1. O árbitro anulou o gol de Heggem, marcado aos nove minutos do segundo tempo, depois de flagrar falta de Haaland em Elliot Anderson momentos antes da cobrança de escanteio, e mandou repetir a jogada. Segundo o ex-árbitro e comentarista de arbitragem do Grupo Globo, PC de Oliveira, a nova regra foi bem aplicada. "Infração do ataque antes da bola entrar em jogo e com impacto direto em lance de gol ou pênalti. O VAR recomenda a revisão e a cobrança de escanteio ou falta tem que ser repetida. Essa regra foi implantada em virtude dos bloqueios que os atacantes fazem nos zagueiros e goleiros e os impedem de disputar a bola adequadamente. Vide os gols do Arsenal na Premier League", explicou o ex-árbitro. Lance: gol de Heggem anulado por falta de Haaland em Elliot Anderson antes da cobrança de escanteio em Noruega 1 x 2 Inglaterra aos 9 minutos do 2º tempo.
Reversão do lateral: 7 vezes
A reversão do lateral aconteceu sete vezes nesta Copa do Mundo após o árbitro perceber que uma cobrança de lateral estava sendo deliberadamente atrasada e o jogador demorou pelo menos cinco segundos para realizar a cobrança. O primeiro caso foi do lateral Kolasinac em Canadá 1 x 1 Bósnia. O lance aconteceu aos 11 minutos do segundo tempo, quando a Bósnia vencia o Canadá por 1 a 0. O árbitro argentino Facundo Tello percebeu a demora na cobrança e deu a posse para o Canadá. Todos os lances: Kolasinac (Bósnia) por demorar 8 segundos em Canadá 1 x 1 Bósnia, aos 11' 2ºT; Valery (Tunísia) por demorar 12 segundos em Suécia 5 x 1 Tunísia, aos 18' 1ºT; Posch (Áustria) por demorar 10 segundos em Áustria 3 x 1 Jordânia, aos 2' 2ºT; Meunier (Bélgica) por demorar 19 segundos em Bélgica 0 x 0 Irã, aos 39' 1ºT; Santi Arias (Colômbia) por demorar 9 segundos em Colômbia 0 x 0 Portugal, aos 6' 1ºT; Alizhonov (Uzbequistão) por demorar 12 segundos em RD Congo 3 x 1 Uzbequistão, aos 36' 1ºT; Molina (Argentina) por demorar 6 segundos em Argentina 3 x 1 Suíça, aos 37' 1ºT.
Cera no tiro de meta: 3 vezes
A demora para cobrança de um tiro de meta foi flagrada em apenas três oportunidades na Copa do Mundo. Os goleiros têm cinco segundos após o início da contagem visual do árbitro para realizar a cobrança. Caso o jogador não realize a cobrança dentro do tempo, o lance é revertido em escanteio para o time adversário. Isso aconteceu três vezes: Mpasi (RD Congo) por demorar 24 segundos em Portugal 1 x 1 RD Congo, aos 5' 2ºT; Placide (Haiti) por demorar 10 segundos em Brasil 3 x 0 Haiti, aos 4' 1ºT; Gill (Paraguai) por demorar 18 segundos em Turquia 0 x 1 Paraguai, aos 13' 1ºT.
Cera na substituição: 1 vez
A nova regra prevê que um jogador a ser substituído terá 10 segundos para sair de campo após o quarto árbitro erguer a placa que indica a alteração. Em caso de atraso do substituído, o substituto deverá aguardar um minuto para entrar em campo, deixando o time infrator com um a menos durante esse tempo. Isso aconteceu uma única vez: Ezatolahi (Irã) demorou 16 segundos para sair de campo e Hosseinzadeh só foi autorizado a entrar em campo após 2 minutos e 9 segundos em Bélgica 0 x 0 Irã.
Minuto fora: 36 vezes
A regra mais aplicada na Copa do Mundo foi a do minuto fora de campo após atendimento médico a um jogador. A IFAB determinou que o atleta atendido em campo permaneça ao menos um minuto fora antes de voltar à partida. A equipe do Gato Mestre contabilizou 36 casos em que o árbitro orientou o jogador a se dirigir à beira do campo e cumprir o minuto fora. O número real de atendimentos pode ser um pouco maior, porque a transmissão da partida nem sempre deixa claro se a regra foi aplicada. Ainda assim, o efeito da mudança foi visível em campo. Lista de casos inclui jogadores como Kubo (Holanda 2 x 2 Japão: 2min54s até ser substituído), Moisés Caicedo (Costa do Marfim 1 x 0 Equador: 1min06s), Mbappé (França 3 x 1 Senegal: 46s), entre outros. Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.



