O impedimento semiautomático entrou em operação no Campeonato Brasileiro na 20ª rodada, com a promessa de agilizar as decisões e eliminar dúvidas nos lances de impedimento. A nova tecnologia, no entanto, não impediu controvérsias e reclamações, especialmente nas redes sociais. Dos três lances com interferência direta do recurso, dois foram os principais alvos de discussão: os gols anulados do Bahia contra o Corinthians e do Flamengo contra o São Paulo. Em ambos, a diferença era de centímetros, a partir do bico das chuteiras, para decretar o impedimento.
Sistema diferente da Copa do Mundo gera questionamentos
A principal reclamação é que, nas duas jogadas, apenas a linha de impedimento foi destacada na projeção tridimensional (3D) exibida na transmissão, sem o momento exato do passe, como ocorreu na Copa do Mundo. Isso acontece porque o sistema contratado pela CBF é diferente do utilizado no torneio da Fifa. Na Copa, além de câmeras espalhadas pelo estádio, a bola possui um sensor (chip) capaz de identificar o instante exato em que é tocada pelo jogador que dá o último passe, auxiliando a equipe de arbitragem a determinar os lances de impedimento.
Tecnologia sem chip, mas com alta resolução
No Brasileirão, o serviço utiliza de 28 a 32 câmeras de alta resolução posicionadas em diferentes pontos do estádio, o que compensaria a falta do chip para determinar o momento do último toque na bola. A mesma tecnologia é empregada na Premier League e nos campeonatos do México e da Bélgica. De forma automática, o sistema identifica os jogadores de ataque e defesa mais próximos, recomenda o ponto do último contato com a bola e traça as linhas de impedimento para gerar uma animação de visualização da decisão final. Uma espécie de barreira transparente digital destaca se o posicionamento caracteriza impedimento ou não.
O ex-árbitro e comentarista de arbitragem Paulo César de Oliveira explicou: “Todos os jogadores são mapeados em tempo real e essa informação vai para a cabine do VAR. Cabe à equipe de arbitragem apenas validar todo esse processo do impedimento semiautomático. Assim, vamos ter cada vez mais decisões acertadas com bastante rapidez.”
CBF rebate críticas e destaca precisão
Em uma nota publicada na segunda-feira, a CBF fez um balanço do uso do impedimento semiautomático pela primeira vez no Brasileirão e rebateu críticas nas redes, garantindo a precisão do sistema para identificar o momento do último passe. “Em relação a comentários que surgiram em redes sociais, a CBF esclarece que o sistema usado no Brasil opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato do jogador com a bola, o chamado ponto de contato (kick point)”, diz um trecho do texto.
A CBF também reiterou que não há interferência humana na construção da linha de impedimento – antes do sistema semiautomático, o processo era feito por um operador, que traçava manualmente as linhas. Segundo a entidade, o recurso foi usado cinco vezes na 20ª rodada, com tempo médio de checagem de 47 segundos. Apesar das polêmicas, a tecnologia promete trazer mais agilidade e menos erros à arbitragem do futebol brasileiro.



