O Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro publicou nesta segunda-feira (27) dezenas de exonerações que atingem órgãos estratégicos do governo fluminense. Entre os afetados está o Depósito Público, responsável pela custódia de bens apreendidos pela Justiça, e a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (Seenemar), recentemente extinta. A lista de 19 exonerados inclui um primo do deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil), além de funcionários com vínculos políticos com outros parlamentares.
Depósito Público e as suspeitas sobre Rafael Nobre
De acordo com fontes ouvidas pelo RJ2, as nomeações para o Depósito Público passavam pelo gabinete do deputado Rafael Nobre. O parlamentar foi alvo de um mandado de busca e apreensão em uma operação do Ministério Público neste mês, que investiga um esquema de fraudes em licitações. A suspeita é que empresas de fachada ligadas a Nobre tenham recebido R$ 357 milhões em contratos com municípios da Baixada Fluminense. O primo do deputado, cujo nome não foi divulgado, estava entre os exonerados.
Nobre, em nota, afirmou que “não tem conhecimento das exonerações e que não possui qualquer tipo de ingerência sobre a gestão ou os atos administrativos de órgãos do Poder Executivo”. O Ministério Público, no entanto, segue apurando as conexões entre o parlamentar e as contratações suspeitas.
Extinção da Seenemar e vínculos com Alexandre Knoploch
A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (Seenemar) foi extinta como parte de uma reorganização administrativa do governo estadual. A pasta agora funciona dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Sedeics). Até a nomeação de um novo titular, o secretário de Fazenda, Guilherme Mercês, acumulará as duas funções.
A Seenemar era politicamente associada ao deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que indicou executivos para a pasta e participou de eventos oficiais da secretaria. Entre os exonerados está Patrícia Seabra, esposa de Knoploch, que já havia sido exonerada na semana anterior, assim como o então secretário Thiago Soares. Além disso, alguns funcionários da antiga secretaria trabalharam no gabinete do parlamentar.
Knoploch declarou que “não exercia qualquer função na Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar e que sua participação em eventos promovidos pela pasta ocorreu na condição de parlamentar”. Sobre Patrícia Seabra, ele destacou “sua trajetória e experiência no setor naval, que motivaram o convite do Governo do Estado para desenvolver políticas públicas voltadas à economia do mar”.
Impacto e desdobramentos políticos
As exonerações em massa ocorrem em meio a uma crise política no Rio de Janeiro, com investigações do Ministério Público sobre possíveis irregularidades na administração pública. A extinção da Seenemar e a centralização na Sedeics são vistas como uma tentativa do governo de reduzir custos e otimizar a gestão, mas as conexões políticas dos exonerados levantam questionamentos sobre a influência de parlamentares no Executivo.
O Depósito Público, que agora perde 19 funcionários, enfrenta desafios na guarda de bens apreendidos, o que pode impactar processos judiciais em andamento. O caso segue sob investigação, e novas revelações podem surgir nos próximos dias.



