O GP do Bahrein de 2026, originalmente previsto para abril, terá sua edição no Circuito de Sepang, na Malásia. A mudança ocorreu porque a guerra no Oriente Médio inviabilizou a realização no Bahrein. Embora pareça estranho, a Fórmula 1 já promoveu 29 corridas com nomes de países diferentes do local de realização desde 1950.
GP de San Marino: o primeiro caso
O exemplo mais famoso é o GP de San Marino, que homenageia a república mais antiga do mundo (fundada em 301 d.C.), mas foi realizado na Itália. Entre 1981 e 2006, a prova ocorreu no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, na região da Emilia-Romanha. A pista retornou ao calendário entre 2021 e 2025 como GP da Emilia-Romagna. O alemão Michael Schumacher é o recordista de vitórias no GP de San Marino, com sete conquistas, seguido por Alain Prost, com três.
O GP de San Marino ficou marcado por duelos históricos, como os entre Gilles Villeneuve e Didier Pironi, Ayrton Senna e Alain Prost, e, nos anos finais, entre Schumacher e o jovem Fernando Alonso. Mas foi também palco da tragédia de 1994, quando Senna sofreu o acidente fatal.
GP da Suíça na França
Em 1982, a F1 trouxe de volta o GP da Suíça, ausente desde os anos 1950. O país havia proibido o automobilismo após o acidente nas 24 Horas de Le Mans de 1955, que matou 84 pessoas. Por isso, a prova foi realizada no Circuito de Dijon-Prenois, na França, que já havia sediado o GP da França. O vencedor foi o finlandês Keke Rosberg, campeão mundial daquela temporada. A corrida só aconteceu naquele ano, pois a televisão francesa não queria exibir mais de uma prova nacional — em 1983, o GP da França foi em Paul Ricard.
GP de Luxemburgo na Alemanha
Em 1997 e 1998, a F1 promoveu o GP de Luxemburgo, mas a corrida ocorreu no circuito Nurburgring, na Alemanha. O Nurburgring havia passado por reformas após o acidente de Niki Lauda em 1976 e sediou o GP da Alemanha apenas em 1985, perdendo espaço para Hockenheimring. Para ter dois circuitos alemães no calendário, a F1 usou o nome de Luxemburgo. A primeira edição foi vencida por Jacques Villeneuve, e a segunda, por Mika Häkkinen.
GP da Europa: uma solução recorrente
Outra alternativa foi o GP da Europa, que já foi realizado em diversos locais, como Nurburgring (1984, 1995, 1996, 1999) e outros circuitos. Essa denominação permitiu que pistas importantes retornassem ao calendário sem conflito de nomes.
O GP do Bahrein na Malásia em 2026
Agora, o GP do Bahrein será disputado em Sepang, na Malásia, no dia 4 de outubro, entre os GPs do Azerbaijão e de Singapura. A Malásia não recebe a F1 desde 2017, quando Max Verstappen venceu. Devido ao conflito no Oriente Médio, os GPs do Catar e de Abu Dhabi também estão sob incerteza, mas permanecem confirmados no calendário. A F1 planeja fechar 2026 com 23 etapas, uma a menos que as 24 previstas inicialmente.
A história mostra que a criatividade da F1 para manter corridas em diferentes países não é nova. De San Marino a Luxemburgo, passando pela Suíça, a categoria sempre encontrou soluções para conciliar tradição e realidade geopolítica.



