Kimi Antonelli venceu o GP da Bélgica neste domingo, somando sua sexta vitória na temporada 2026 da Fórmula 1. O piloto largou em sexto no grid e superou os adversários para conquistar o primeiro lugar. No entanto, o resultado não foi tão positivo para Oscar Piastri, da McLaren, que terminou em quinto lugar e não escondeu a insatisfação com os problemas enfrentados na classificação.
Piastri desabafa sobre dificuldades com o motor
Piastri, que largou em sexto e terminou em quinto, criticou abertamente o sistema de gestão de energia dos novos motores de 2026. “É uma droga. Não consigo dizer de outra forma... E certamente eu não tenha sido o único. Sei que o George (Russell, da Mercedes) teve muitos problemas com isso neste fim de semana, talvez nos últimos dois fins de semana. Conversando com alguns outros pilotos, a história é parecida. Quer dizer, quando o grid é decidido por computadores que funcionam — ou não funcionam direito —, fica meio ruim competir”, desabafou o australiano. Ele acrescentou: “Aqui isso fica ainda pior, mas é assim: você sai de uma classificação, analisa todas as curvas e pensa: ‘Estou no mesmo nível do meu companheiro de equipe e, mesmo assim, estou dois décimos atrás’.”
Norris também critica sistema autônomo
Lando Norris, companheiro de equipe de Piastri, largou em 13º após trocar componentes do motor, mas conseguiu subir para sétimo na corrida. Ele também expressou frustração: “Na verdade, não tem nada a ver com você como piloto. Há certas coisas sob seu controle e muitas outras — muitas demais — que estão fora. É uma pena que haja tantas coisas que possam ditar o seu próprio ritmo na classificação. Não depende do piloto, depende apenas de torcer para ter sorte e que a unidade de potência faça o que deve fazer, sem causar nenhum problema bobo. Isso vem me prejudicando o ano todo. Acho que este é o primeiro fim de semana em que tenho sido competitivo nas retas. Também foi a primeira vez que Oscar ficou um pouco em desvantagem na classificação”, detalhou Norris.
Chefe da McLaren explica o problema
Andrea Stella, chefe da McLaren, explicou que a nova unidade de potência da F1 possui um sistema autônomo que se adapta a cada volta para antecipar parâmetros de gestão de energia e outras questões. No entanto, ele alertou que o sistema é muito sensível a pequenas mudanças, afetando a distribuição de potência fornecida ao piloto.
Mudanças previstas para 2028
A gestão de energia tem sido alvo de polêmica na F1 desde a introdução dos novos motores em 2026, que aumentaram o protagonismo do motor elétrico. Parte do sistema que recarrega a bateria é independente, operado por modos de motor configurados pelos engenheiros. A preocupação em não ficar sem energia — e ficar com apenas metade da potência total — tem dificultado a vida dos pilotos. Por isso, a F1 planeja mudar a divisão de potência gradualmente até 2028, quando o motor a combustão passará a representar 60% da energia e o elétrico, 40%.
Piastri, no entanto, acredita que o problema do sistema de aprendizado autônomo pode persistir: “Tudo tem a ver com a forma como os sistemas gerenciam as coisas. A mudança no fluxo de combustível e a menor ativação não vão resolver esses problemas específicos. Tem a ver com a forma como o motor é calibrado, como ele aprende; é algo meio que enraizado nesses motores. Obviamente, vai melhorar à medida que todos os fabricantes entendê-los melhor. Não é um problema só para nós ou a Mercedes, é um problema com todos os motores, pelo que conversei com alguns pilotos.”



