Dez anos após a edição dos Jogos Olímpicos Rio 2016, os quatro principais astros estrangeiros da competição — Michael Phelps, Usain Bolt, Simone Biles e Teddy Riner — seguem em evidência, embora por caminhos bastante distintos. O lendário nadador americano trocou as piscinas pelos campos de golfe; o velocista jamaicano divide seu tempo entre o dominó e as mesas de DJ; a ginasta americana se recupera de um susto de saúde e planeja a volta aos tablados; e o judoca francês, após uma cirurgia no cotovelo, se prepara para retomar a carreira com vistas a Los Angeles 2028.
Michael Phelps: do auge olímpico ao green
Na Rio 2016, Michael Phelps, então com 31 anos, disputou seis provas na natação e conquistou seis medalhas — cinco ouros e uma prata. A única derrota no topo do pódio veio nos 100m borboleta, quando o singapurense Joseph Schooling superou o ídolo. Aquela foi a despedida olímpica de Phelps, que encerrou a carreira com 23 ouros e 28 medalhas no total, números que o consagram como o maior medalhista da história dos Jogos.
Hoje, aos 41 anos, Phelps é casado com Nicole Johnson desde 2016 e pai de quatro filhos. Longe das piscinas, o ex-nadador dedica-se ao golfe, esporte que pratica com regularidade em torneios de celebridades e eventos por equipes, como a Ryder Cup, embora sem status profissional.
Além do esporte: saúde mental e fundação
Quando não está no campo, Phelps atua como porta-voz de causas importantes, com destaque para a saúde mental. Em palestras pelo mundo, ele fala abertamente sobre suas próprias batalhas contra a depressão severa, incluindo pensamentos suicidas durante e após a carreira. O americano também comanda a Fundação Michael Phelps, instituição de caridade que promove a segurança na água, a vida saudável e o suporte à saúde mental, com foco especial em crianças.
Para não se afastar totalmente do esporte, o ex-nadador trabalha como comentarista em transmissões de grandes eventos, como Olimpíadas e Mundiais de natação.
Usain Bolt: o Raio que virou lenda do dominó
Usain Bolt, o homem mais rápido do mundo, também se despediu dos Jogos na Rio 2016. No Engenhão, ele comandou o revezamento 4x100m jamaicano e conquistou a terceira medalha de ouro naquela edição, somando-se aos títulos dos 100m e 200m rasos. Com isso, repetiu a tríplice coroa já obtida em Pequim 2008 e Londres 2012, embora o ouro do 4x100m de 2008 tenha sido posteriormente cassado por doping de um companheiro de equipe, Nesta Carter.
Aposentado desde 2017, após o bronze nos 100m no Mundial de Londres, Bolt tentou a carreira de jogador de futebol, mas desistiu. Hoje, aos 39 anos, vive em uma mansão em Kingston, capital da Jamaica, com a esposa e três filhos. A filha mais velha, de 5 anos, chama-se Olympia Lightning, uma homenagem ao legado olímpico e ao apelido do pai.
Dominó, DJ e a vida longe das pistas
O jamaicano, no entanto, não se mantém parado. Em entrevistas recentes, Bolt revelou que joga dominó com amigos por cerca de seis horas diárias e organiza torneios locais. Além disso, atua como DJ em festas e gravações com artistas jamaicanos. Curiosamente, o recordista mundial dos 100m (9s58) e 200m (19s19) admite que não é fã de corridas de atletismo e que fica sem fôlego ao subir escadas, mas garante que frequenta a academia para não ganhar peso.
Simone Biles: superação e futuro incerto
Simone Biles, que na Rio 2016 conquistou quatro ouros e um bronze, tornou-se a grande estrela da ginástica mundial. Aos 19 anos na época, ela superou a marca de Nadia Comaneci em medalhas numa mesma edição olímpica. Atualmente com 29 anos, Biles segue na ativa, mas não compete desde as Olimpíadas de Paris 2024, quando faturou três ouros e uma prata, sendo superada no solo pela brasileira Rebeca Andrade.
Em maio deste ano, a ginasta revelou ter passado por um grande drama de saúde. Nas redes sociais, publicou foto com pulseiras de hospital e afirmou que "quase morrer não estava nos seus planos", sem dar detalhes. Ela classificou a experiência como "uma das mais assustadoras da vida", principalmente pela ausência do marido, o jogador da NFL Jonathan Owens, e disse ter passado uma semana de repouso na cama.
Planos para Lima 2027 e Los Angeles 2028
Recuperada, Biles ainda não definiu os próximos passos. A volta pode ocorrer nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027, para os quais foi anunciada como embaixadora da Panam Sports. Ela também não descarta participar das Olimpíadas de Los Angeles 2028. Com 11 medalhas olímpicas na carreira, a americana segue como um dos maiores nomes do esporte mundial.
Teddy Riner: o gigante em busca de mais um ouro
Teddy Riner, o judoca francês mais dominante da história, também brilhou na Rio 2016. Aos 27 anos, ele conquistou o bicampeonato olímpico no peso-pesado (acima de 100kg), alcançando a marca de 112 lutas de invencibilidade. Essa série só foi quebrada em fevereiro de 2020, no Grand Slam de Paris, após 154 combates. Em Tóquio 2020, Riner sofreu uma derrota nas quartas e ficou com o bronze, além do ouro por equipes. A revanche veio em Paris 2024, quando voltou a subir no lugar mais alto do pódio no individual e por equipes.
Com cinco ouros e dois bronzes olímpicos, além de dez títulos mundiais, Riner é um verdadeiro astro pop na França, participando de comerciais e séries. Aos 37 anos, ele não luta desde as Olimpíadas de Paris, mas a aposentadoria está longe. Recuperado de uma cirurgia no cotovelo direito, o judoca tem retorno marcado para o Grand Slam de Lausanne, na Suíça, no final de agosto. Ele treina nas dependências do Paris Saint-Germain, clube que mantém uma forte equipe de judô. Além disso, Riner atua como embaixador da Boa Vontade da UNICEF, participando de campanhas globais voltadas ao bem-estar e à saúde de crianças.



