O João Rock 2026, realizado no sábado (1º) no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto (SP), reafirmou sua força como um dos maiores festivais de música do país. Com ingressos esgotados, o evento recebeu 65 mil pessoas e transformou o espaço em um ponto de encontro de gerações ao longo de mais de 12 horas de programação. A edição distribuiu as atrações por quatro palcos temáticos: Aquarela, Brasil, João Rock e Fortalecendo a Cena. O g1 acompanhou a festa e registrou os principais momentos do festival.
Charlie Brown Jr. leva nostalgia ao palco principal
Os minutos de atraso e o cansaço de quem já acumulava horas de maratona musical não desanimaram o público que esperava o Charlie Brown Jr. Já na madrugada de domingo (2), os primeiros acordes ecoaram e a multidão foi transportada para o início dos anos 2000. Marcão Britto e Thiago Castanho subiram ao Palco João Rock liderando uma celebração com clima de máquina do tempo. O repertório resgatou o peso emocional e histórico de sucessos que marcaram o Acústico MTV, e Marcão Britto não escondeu a emoção: “Vocês estão felizes? Porque a gente está muito feliz”.
BaianaSystem aposta em show visual de vanguarda
Pela quarta vez no festival, a BaianaSystem mostrou por que é considerada uma banda de vanguarda. A apresentação misturou afro rock, dub, guitarra baiana e ritmos afro-brasileiros e caribenhos, fazendo a poeira levantar no público. O show começou com 18 minutos de atraso e trouxe uma arte visual com uma linha do tempo histórica, passando pela Revolução Cubana, pela inauguração de Brasília e pelo golpe militar brasileiro. A frase “Eu não vou sucumbir” marcou a abertura. O rapper BNegão foi convidado para cantar “Reza Forte” ao lado de Russo Passapusso. Na sequência, “Capim Guiné” ganhou a participação de Elivan Conceição, conhecido pela interpretação em “Saci”.
Criolo estreia no Fortalecendo a Cena
Criolo fez sua estreia no palco Fortalecendo a Cena, espaço dedicado ao rap e ao hip hop, e foi a última atração do local. O rapper paulistano abriu a apresentação com “Mariô”, acompanhado de Dj Dan Dan e de uma banda que arrancou elogios do público. Desde as primeiras canções, como “Duas de Cinco”, Criolo incentivou a interação: “Geral canta com nóis”, repetiu em vários momentos, enquanto pedia palmas e ouvia a voz da plateia.
Raimundos resgata raízes do rock
A banda Raimundos mergulhou em suas origens sob o comando de Digão. A performance trouxe o mix de sarcasmo e hardcore que marcou a carreira do grupo. A escolha de “Pela-Saco” para abrir o show, faixa do álbum “XXX”, o mais recente trabalho com inéditas nessa pegada, foi a senha para uma apresentação que agradou tanto fãs quarentões e cinquentões quanto as gerações mais novas.
CPM22 celebra 30 anos com Di Ferrero
Pela 13ª vez no João Rock, o CPM22 celebrou 30 anos de carreira com “Regina Let's Go!”. A banda de hardcore surpreendeu ao convidar Di Ferrero, vocalista do NX Zero, para cantar “Dias Atrás”. Badauí, vocalista do CPM22, destacou a relação com o evento: “João Rock é nossa casa”, afirmou, enquanto o público cantava junto o repertório conhecido.
Alceu Valença une rock e música nordestina
Alceu Valença subiu ao Palco João Rock com a missão de mostrar que a estética do rock e a música nordestina caminham juntas. O cantor abriu com “Que grilo dá”, do álbum “Mágico” (1984), um quebra-cabeça de rock psicodélico com repente. A energia seguiu com “Agalopado”, faixa de “Espelho Cristalino” (1977), unindo guitarras e batida veloz em uma sonoridade que aproxima a cultura nordestina do rock progressivo dos anos 1970.
Luedji Luna estreia com mistura de ritmos
Natural de Salvador, Luedji Luna estreou no João Rock com uma apresentação marcada pela mistura de MPB, jazz, R&B e ritmos afro-diaspóricos. O repertório explorou afeto, negritude e ancestralidade, levando ao público uma sonoridade potente e dançante, com forte identidade baiana.
Zé Ramalho reúne gerações no Palco Brasil
Aos 77 anos, Zé Ramalho entregou uma apresentação curta, mas repleta de história e significado. No Palco Brasil, o cantor reuniu fãs de diferentes idades com um repertório que atravessa décadas, reforçando a conexão do festival com artistas que fazem parte da memória da música brasileira.
Paralamas do Sucesso embalam plateia fiel
Os Paralamas do Sucesso levaram ao palco principal sucessos de mais de quatro décadas de carreira. A entrada foi anunciada por telões com imagens de diferentes fases da trajetória do grupo, recebida por um público fiel que cantou desde “Vital e Sua Moto”. O show seguiu em clima de celebração com “Ska”, “Lourinha Bombril” e “Sinais”, esta última com interação de Herbert Vianna com a plateia.
Chico Chico homenageia Cássia Eller
Chico Chico subiu ao palco do João Rock com naturalidade e fez uma apresentação marcada por referências à MPB. Em um dos momentos de maior emoção, o cantor relembrou Cássia Eller, sua mãe, criando uma conexão forte com as diferentes gerações do público.
Nação Zumbi contagiou com manguebeat
A Nação Zumbi levou o manguebeat ao Palco Brasil e retomou o legado de Chico Science no festival. Com uma apresentação crescente, a banda pernambucana contagiou o público com a força percussiva e a mistura de ritmos que marcaram sua trajetória.
Tico Santa Cruz fala de saúde mental
Durante o show do Detonautas, Tico Santa Cruz fez um discurso sobre saúde mental, uso excessivo de redes sociais e tempo perdido em conflitos virtuais. O vocalista disse que percebeu que estava “se intoxicando” ao passar muito tempo diante das telas e refletiu: “Eu me adoeci e, assim como eu adoeci, muitas pessoas adoeceram também e muitas pessoas estão doentes nesse momento, envolvidas em conflitos estúpidos, discutindo com pessoas que não conhecem”. A fala foi acompanhada por uma plateia atenta, em um dos momentos mais impactantes da noite.
Urias estreia com show político
Urias também estreou no João Rock 2026 e levou ao Palco Aquarela uma apresentação marcada pela representatividade LGBT e discurso político. O repertório passou pelo álbum “Carranca”, em um espetáculo com bailarinas que reforçou o espaço de artistas da nova cena brasileira na programação.
Marina Sena aposta em conceito hipnotizante
De volta ao festival após a edição de 2024, Marina Sena entregou uma performance hipnotizante e sensual no Palco Aquarela. A cantora mineira conduziu a multidão a uma espécie de transe coletivo e provocou: “Eu quero ver o João Rock transcendendo nessa porr@!”. Sem depender do sol, ela elevou a temperatura do público com a turnê do álbum “Coisas Naturais”.



