Maria Rita, filha de Elis Regina, declarou que precisou se afastar das redes sociais após a veiculação de um comercial que recriou a cantora com inteligência artificial. Em entrevista, ela afirmou: "Precisei sair de rede social, não deu pra mim". A declaração foi dada durante um evento cultural no Rio de Janeiro.
Comercial polêmico gerou debate sobre IA
O comercial, produzido por uma grande marca de bebidas, utilizou tecnologia de IA para gerar uma versão digital de Elis Regina, falecida em 1982. A peça publicitária foi ao ar em junho de 2026 e rapidamente se tornou viral, dividindo opiniões. Enquanto alguns elogiaram a homenagem, outros questionaram a ética de recriar uma artista sem o consentimento prévio de sua família.
Maria Rita explicou que a exposição nas redes foi intensa: "Recebi muitas mensagens, tanto de apoio quanto de críticas. Foi difícil lidar com tudo aquilo de uma vez". Ela ressaltou que não foi consultada sobre o uso da imagem de sua mãe.
Posição da família e da marca
A família de Elis Regina, incluindo Maria Rita e seu irmão João Marcello Bôscoli, manifestou desconforto com a iniciativa. Em nota, a família afirmou que "a memória de Elis deve ser preservada com respeito, e o uso de IA sem diálogo prévio fere esse princípio". A marca, por sua vez, defendeu a ação como uma "homenagem tecnológica", mas não informou se houve autorização formal dos herdeiros.
Especialistas em direito digital apontam que a legislação brasileira ainda é incipiente quanto ao uso de imagens de falecidos por IA. O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de regulamentação específica para proteger a privacidade e a memória de pessoas públicas.
Impacto nas redes sociais e saúde mental
Maria Rita revelou que o episódio afetou sua saúde mental: "Eu precisei me desconectar. Não estava preparada para a avalanche de opiniões". Ela destacou que, mesmo sendo uma artista acostumada com a exposição, a situação foi particularmente delicada por envolver a mãe.
O caso gerou ampla repercussão no meio artístico. Diversos artistas e personalidades se manifestaram, alguns apoiando a família e outros defendendo a liberdade criativa proporcionada pela tecnologia. A cantora Preta Gil, por exemplo, comentou: "É uma linha tênue entre homenagem e exploração".
Legislação e futuro do uso de IA em publicidade
O episódio pode acelerar a discussão no Congresso Nacional sobre projetos de lei que regulam o uso de inteligência artificial na criação de conteúdo. Atualmente, tramitam propostas que exigem consentimento explícito para uso de imagem de pessoas falecidas em obras digitais.
Enquanto isso, a marca responsável pelo comercial anunciou que suspendeu a veiculação da peça para reavaliar a estratégia. Maria Rita concluiu: "Espero que essa situação sirva para que outras famílias não passem pelo mesmo".



