A segunda temporada da série documental Agbára Dúdú – Narrativas Negras estreia no dia 28 de julho, às 22h30, com exibição gratuita pelo Globoplay e pelo Canal Futura. Produzida na Bahia em parceria com comunidades tradicionais de Terreiro, a série percorre diferentes regiões do Brasil para mostrar que o Candomblé é muito mais do que uma religião: é um dos pilares da formação cultural brasileira.
Conteúdo e abrangência
Ao longo de 13 episódios, o documentário visita 14 Terreiros localizados na Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe, revelando histórias marcadas pela ancestralidade, pela fé, pela resistência e pela preservação de conhecimentos transmitidos de geração em geração. Gravada em cidades como Salvador, Cachoeira, Lençóis, Recife, Olinda, São Luís, Rio de Janeiro, São João de Meriti e Nova Iguaçu, a produção apresenta sacerdotes, sacerdotisas, mestres e guardiões da cultura afro-brasileira que compartilham suas vivências e ajudam a compreender a profunda contribuição dos povos de terreiro para a identidade nacional.
Destaques da temporada
Entre os destaques estão episódios dedicados a duas personalidades fundamentais da história do Candomblé brasileiro. Um deles é Joãozinho da Goméia, sacerdote que revolucionou a visibilidade das religiões de matriz africana no século XX. Nascido na Bahia e fundador do Axé Goméia, em Salvador e no Rio de Janeiro, Pai João rompeu preconceitos, levou o Candomblé aos palcos, dialogou com artistas, intelectuais e políticos e tornou-se uma das personalidades religiosas mais influentes de sua época. Outro episódio resgata a trajetória de Mãe Olga do Alákétu, uma das mais importantes Yalorixás do Brasil. Herdeira do Ilé Márọya Lájí (Alákétu), em Salvador, um dos mais antigos Terreiros de Candomblé do país, Mãe Olga dedicou sua vida à preservação das tradições ancestrais, ao fortalecimento da cultura afro-brasileira e ao combate à intolerância religiosa.
Equipe e proposta
Idealizada por uma equipe formada majoritariamente por profissionais ligados às comunidades de axé, a série tem direção e roteiro de Silvana Moura, Ẹkẹdi e pesquisadora da cultura afro-brasileira. A proposta é oferecer ao público uma narrativa construída por quem vive o cotidiano dos terreiros, apresentando o Candomblé a partir de sua própria voz, sem estereótipos ou distorções. Mais do que registrar rituais e tradições, Agbára Dúdú – Narrativas Negras reafirma o papel dos Terreiros como espaços de acolhimento, produção de conhecimento, preservação da memória e resistência cultural.
Impacto social
Em um momento em que ainda persistem casos de racismo e intolerância religiosa, a série torna-se um importante instrumento de valorização da diversidade e de reconhecimento da herança africana que ajudou a construir o Brasil. Como ensina um provérbio yorùbá: "Agbára ìṣẹ̀ ni ń mú ìran dúró." (É a força daquilo que preservamos que mantém viva a nossa ancestralidade.)
Serviço
Agbára Dúdú – Narrativas Negras
Estreia da 2ª temporada: 28 de julho, às 22h30.
Onde assistir: gratuitamente pelo Globoplay e pelo Canal Futura, com exibição também na programação da emissora.



